Turquia

Turquia é um país euro-asiático que ocupa toda a península da Anatólia, no extremo ocidental da Ásia, e se estende pela Trácia Oriental, no sudeste da Europa. Tem uma população de 75 milhões e uma superfície de 783.562 km2. A sua capital é Ancara e a sua maior cidade é Istambul. Faz fronteira com oito países: a noroeste com a Bulgária, a oeste com a Grécia, a nordeste com a Geórgia, a Arménia e o enclave de Nakichevan do Azerbeijão, a leste com o Irão e a sudeste com o Iraque e a Síria. O Mar Mediterrâneo e o Chipre situam-se a sul, o Mar Egeu a sudoeste-oeste e o Mar Negro a norte. O Mar de Mármara, o Bósforo e o Dardanelos (que juntos formam os Estreitos Turcos) demarcam a fronteira entre a Trácia e a Anatólia e separam a Europa da Ásia. Os turcos começaram a migrar para a área que é actualmente a Turquia (“terra dos turcos”) no século XI. O processo foi acelerado pela vitória do Império Seljúcida sobre o Império Bizantino.

A localização da Turquia, entre a Europa e a Ásia, torna o país geoestrategicamente importante. A religião predominante no país é o Islão, com pequenas minorias de cristãos e judeus. A língua oficial do país é o turco, falado pela esmagadora maioria da população. A segunda língua mais usada é o curdo, falado pela maior minoria do país, os curdos, que representam cerca de 18% da população. A Turquia é uma república constitucional democrática, secular e unitária, com uma antiga herança cultural. O país tem relações estreitas com o Ocidente, nomeadamente através da sua presença em organizações como o Conselho da Europa, NATO, OCDE, OSCE e G20. A Turquia iniciou as negociações de adesão plena à União Europeia em 2005, da qual é membro associado desde 1963 e com a qual tem um acordo de união aduaneira desde 1995.

Antalya é uma cidade do sul da Turquia, à beira do Golfo de Antalya no Mar Mediterrâneo. Dista aproximadamente 550 km de Ancara e 730 km  de Istambul. Tem uma propulação aproximada de 1 milhão de habitantes. A cordilheira dos Montes Tauro corre paralela à costa, de leste para oeste e praticamente rodeia as estreitas planícies costeiras onde a cidade se encontra. Em algumas partes da costa, as montanhas mergulham a pique sobre o mar, formando pequenas baías e penínsulas. A cidade encontra-se sobre duas zonas planas. O centro encontra-se na planície rochosa mais perto do mar, estendendo-se a zona urbana para a planície de Kepezüstü, mais para o interior. Antália é famosa pelas suas praias, nomeadamente as de Konyaalti, Lara e Karpuzkaldiran. No inverno pode praticar-se ski nas estâncias próximas de Beydaglari e Saklikent. As áreas de Kaleiçi e do porto, rodeadas de muralhas, são as mais antigas da cidade e ainda conservam muitas casas de arquitetura tradicional grega e turca.
Alguns dos pontos turísticos mais interessantes são a Torre Hidirlik, originalmente construída no período helénico, foi reconstruída no século II d.C. pelos romanos e restaurada pelos seljúcidas e otomanos; serviu tanto como fortificação como farol. A Porta de Adriano foi construída no século II d.C. em honra do imperador romano Adriano, que visitou a cidade em no ano 130. Kesik Minare (minarete partido), começou por ser um templo romano construído no século II; no século VII foi conertida numa igreja bizantina em honra da Virgem Maria; sofreu grandes estragos durante as invasões árabes do século VIII; foi restaurada no século X e convertida em mesquita pelos seljúcidas. A mesquita foi destruída por um incêndio em 1846, tendo sobrevivido apenas o minarete. Mesquita Yivli Minare é um dos edifícios islâmicos mais antigos de Antália, embora possa ter sido originalmente uma igreja bizantina. Foi construído pelos seljúcidas em 1230. A torre que lhe dá o nome (minarete em forma de flauta) tem 38 m de altura e é um dos símbolos da cidade. A mesquita original foi destruída no século XIV, dando lugar a um dos exemplos mais antigos de construções com cúpulas múltiplas da Anatólia. Atualmente acolhe o Museu de Etnografia de Antália. Outros edifícios islâmicos importantes são o madraçal Karatay Medresesi e as mesquitas Ahi Yusuf Mescidi, Iskele, Murat Pasa, Tekeli Mehmet Pasa, Balibey, Musellim, Seyh Sinan Efendi e Osman Efendi.
As Cascatas de Karpuzkaldiran são também uma atracção turística, dado o caudal de água que cai ao mar não muito longe do centro da cidade.
Entre as praias de Antalya, encontram-se Konyaalti, Lara e Karpuzkaldiran.

Kemer é uma estância balnear 40 km a oeste de Antalya. A área em redor de Kemer é enquadrada magnificamente com os Montes Tauro atrás das bonitas praias, formando uma paisagem impressionante. Foi a partir dos anos 1980 que o turismo se desenvolveu nesta zona, com a construção de grandes hotéis, um pouco à semelhança das praias para leste de Antalya como Lara ou Belek. A costa desde Beldibi a Tekirova consiste em praias bem preservadas em baías de vários tamanhos. A Marina de Kemer é também um pólo de atracção e serve de base a muitos cruzeiros e passeios de barco que partem ao longo da costa.

Aspendos foi uma antiga cidade greco-romana, situada 40 km a leste de Antalya perto da cidade de Serik. Actualmente é conhecido pelo magnífico anfiteatro da antiguidade, excelentemente preservado, com um diâmetro de 96 metros e capacidade para 7000 pessoas. Foi construído em 155 pelo arquitecto grego Zenon. 

Side é uma cidade 80 km a leste de Antalya. É um dos locais da Turquia com mais vestígios da antiguidade, tendo sido fundada por colonizadores gregos. As ruinas estão entre as mais notáveis da Ásia Menor cobrindo um grande promontório. As bem preservadas muralhas da cidade permitem a entrada na cidade antiga pelo portão principal helénico. Os antigos banhos romanos foram convertidos num Museu que apresenta estátuas e objectos do período romano.


Geografia

A maior cidade do país, Istambul (anteriormente chamada Bizâncio, depois Constantinopla), encontra-se entre a Trácia e a Anatólia, dividida ao meio pelo Estreito do Bósforo. É a única cidade do mundo situada em dois continentes.A Trácia Oriental é constituída por colinas de pouca altitude e declive suave na sua maior parte, acentuando-se ligeiramente o relevo junto às costas do Mar de Mármara e do Bósforo. A Anatólia é formada por um planalto central, rodeado na sua maior parte de montanhas que o isolam do Mar Negro, do Mediterrâneo e do resto da Ásia, existindo também zonas montanhosas no interior. Entre as montanhas e as costas, existem geralmente planícies costeiras, geralmente estreitas, e vales, por vezes bastante largos, embora em muitos lugares as montanhas cheguem ao mar.

As montanhas tendem a ser mais altas a leste — tipicamente, os cumes mais altos a oeste não ultrapassam os 1500 m, embora haja picos acima dos 2000 m, como por exemplo o Uludaq, perto de Bursa e do Mar de Mármara, cujo ponto mais alto se situa a 2543 m. Nas montanhas que rodeiam a Anatólia Central são comuns os cumes com mais de 2000 m e existem diversos bastante mais altos. As cordilheiras mais extensas e mais altas são os Montes Tauro (Toros Daglari), a sul e leste, e os Montes Pônticos, a nordeste. A montanha mais alta da Turquia é o Monte Ararat, um vulcão extinto com 5165 m. O Monte Ararat e o seu vizinho “Pequeno Ararate” (também chamado Monte Sis ou Küçük Agri em turco) situam-se no Planalto Arménio, junto ao local onde se encontram as fronteiras da Turquia, Arménia e Irão.

História

Os hatitas foram um povo que habitou o centro da Anatólia cerca de 2300 a.C., senão antes, fundando primeiro grande império da área, que existiu entre os séculos XVIII e XIII a.C., rivalizando em poder com o Antigo Egípto.No século XX a.C. existiam no local duas localidades — a cidade hitita de Kaneš e a de Karum, uma colónia assíria, onde florescia o comércio entre hititas e assírios. Os assírios colonizaram partes do que é hoje o sudeste o centro-leste da Turquia entre 1950 a.C. e 612 a.C., ano em que os caldeus conquistaram o Império Assírio da Babilónia. A partir de 1200 a.C., as costas da Anatólia foram intensamente colonizadas por gregos eólicos e jónicos que fundaram inúmeras cidades importantes, como Mileto, Éfeso, Izmir e Bizâncio. A Anatólia foi conquistada pelo Império Aqueménida nos séculos VI e VII a.C. e posteriormente por Alexandre, o Grande em 334 a.C. Após a morte de Alexandre, a Anatólia foi dividida em pequenos reinos helénicos. Todos estes reinos foram absorvidos pela República Romana em meados do século I d.C.

Em 324 o imperador romano Constantino I escolheu Bizâncio para capital do Império Romano, rebatizando-a de Nova Roma (após a sua morte mudaria de nome para Constantinopla e actualmente chama-se Istambul). Constantinopla foi também a capital do Império Romano do Oriente, que existiu intermitentemente entre 286 e o século V, e que passaria a ser conhecido como Império Bizantino, sobretudo depois da Queda do Império Romano do Ocidente, no final do século V.

Os seljúcidas eram um ramo dos turcos oguzes que no século X viviam na periferia dos domínios muçulmanos dos Abássidas, a norte dos mares Cáspio e Aral. No século XI os seljúcidas começaram a emigrar para as regiões orientais da Anatólia, que se tornariam a pátria dos oguzes após a Batalha de Manziquerta, em 1071, na qual os turcos derrotaram os bizantinos. Esta vitória foi determinante para a formação do Sultanato seljúcida da Anatólia, que começou como um ramo separado do Império Seljúcida que dominava partes da Ásia Central, Irão, Anatólia e Sudoeste Asiático.

Em 1243 os exércitos seljúcidas foram derrotados pelos mongóis, o que causou a progressiva desintegração do poder seljúcida, que na prática passou para as mãos de uma série de pincipados que, tendo começado por ser tributários do Sultanato de Rum, ganharam independência a partir do século XIII. Um destes beilhiques, o dos otomanos (osmanli, “descendentes de Osman), acabou por se impor aos restantes, principalmente a partir do reinado de Osman I, que declarou a independência em 1299 e é oficialmente considerado o fundador da dinastia otomana. O beilhique otomano expandiu-se ao longo dos dois séculos seguintes, absorvendo os restantes estados turcos da Anatólia, e conquistando territórios na Trácia, Balcãs e no Levante, tornando-se o Império Otomano. Em 29 de maio de 1453 os otomanos liderados pelo Sultão Mehmed II, apelidado de Fatih (“conquistador”, “vitorioso”), acabaram com o Império Bizantino ao conquistarem a sua capital Constantinopla, um acontecimento que muitos consideram marcar o fim da Idade Média.

O Império Otomano atingiu o seu apogeu nos séculos XVI e XVII, quando foi uma das maiores potências mundiais, particularmente durante o reinado de Solimão, o Magnífico, que durou de 1520 a 1566. No final do século XVI, os territórios sob administração otomana estendiam-se sobre uma área de 5,6 milhões de km², que ia desde os Balcãs e partes da Hungria, a oeste, até ao que são hoje os países árabes, além de quase toda a costa mediterrânica do Norte de África e de todas as áreas costeiras do Mar Negro. Os otomanos ameaçaram seriamente a Europa Central e Itália, tendo chegado a conquistar temporariamente alguns territórios, a cercar Viena e a combater no sul da atual Polónia. No mar, os otomanos combateram pelo controle do Mediterrâneop com a Liga Santa, constituída por diversos estados cristãos, nomeadamente a República de Veneza, a Espanha e Áustria, os Cavaleiros de São João (Ordem de Malta) e a generalidade dos estados italianos. A expansão marítima otomana no Mediterrâneo só foi detida pela derrota na Batalha de Lepanto(7 de outubro de 1571). No Oceano Índico os otomanos combateram contra as armadas portuguesas para defenderem o monopólio ancestral do comércio marítimo entre a Índia e Ásia Oriental com a Europa, seriamente ameaçado pela descoberta do caminho marítimo para a Índia por Vasco da Gama em 1498. Além dos confrontos militares com cristãos, os otomanos defrontaram-se ocasionalmente com os persas (por vezes aliados dos portugueses) nos séculos XVI, XVII e XVIII, quer por disputas territoriais, quer por diferendos religiosos.

Os séculos XVIII e XIX foram de declínio para o Império Otomano. Durante este período o império foi gradualmente diminuindo em tamanho, poderio militar e riqueza. No virar do século XIX para o século XX a Alemanha de Guilherme II tornou-se um dos principais aliados do império, o que levou os otomanos a entrar na Primeira Guerra Mundial ao lado dos Impérios Centrais. A guerra representou uma pesada derrota para o Império Otomano, apesar das vitórias obtidas por Mustafa Kemal (que viria a ficar conhecido por Atatürk), nomeadamente a da Galípoli, uma derrota inesperada para as forças britânicas e francesas, onde morreram quase meio milhão de homens de ambos os lados e que fez de Mustafa Kemal um herói nacional.

A partir de 12 de novembro de 1918, logo a seguir ao Armistício que marcou o fim das hostilidades da Primeira Grande Guerra no Médio Oriente, as potências europeias vitoriosas ocuparam Constantinopla. Izmir foi ocupada por tropas gregas a 21 de maio de 1919.Em 1917, antes do fim da guerra, a França, Itália e Reino Unido tinham assinado o Acordo de Saint-Jean-de-Maurienne que previa a partilha do Império Otomano após o fim da guerra. A 10 de outubro de 1920 o débil governo imperial foi forçado a assinar o Tratado de Sèvres, o qual previa a entrega à França e ao Reino Unido da Palestina, Síria, Líbano e Mesopotâmia, a desmilitarização e transformação em zonas internacionais dos estreitos do Bósforo, dos Dardanelos e do Mar de Mármara. O tratado determinava ainda a entrega à Grécia da região de Izmir e de todos os territórios europeus à exceção de Constantinopla, de grande parte do leste e sudeste da Anatólia à França e da região de Antália e as ilhas do Dodecaneso a Itália.

A ocupação de Istambul pelos Aliados e de Izmir pelos gregos, com o apoio tácito dos restantes Aliados, despoletou a criação do Movimento Nacional Turco, criado em 19 de maio de 1919 sob a liderança de Mustafa Kemal. O movimento opunha-se à divisão e ocupação do país e a sua fundação é geralmente apontada como o primeiro evento da Guerra de Independência Turca. Aos confrontos políticos somaram-se os militares, um pouco por toda a parte e envolvendo todos os lados, embora em diferentes graus. A nordeste travou-se a Guerra Turco-Arménia que terminou em dezembro de 1920 com os tratados de Alexandropol e de Kars. A Guerra Franco-Turca teve como palco o sudeste e sul — aí as hostilidades terminaram em março de 1921, com a assinatura do Tratado de Paz da Cilícia e posteriormente com o Tratado de Ancara, assinado em outubro.Os combates mais sangrentos deram-se entre os nacionalistas turcos e as forças gregas (Guerra Greco-Turca), as quais chegaram a ter o controlo de grande parte da Anatólia a oeste e sudoeste de Ancara, quartel-general dos nacionalistas, a qual chegou a estar na eminência de ser conquistada. No verão de 1922 os nacionalistas turcos empreenderam uma ofensiva contra as forças gregas que culminou na tomada de Izmir, que marcou a derrota definitiva dos gregos e ficou tristemente célebre pelas pilhagens, massacres e pelo grande incêndio que devastou a cidade.A paz definitiva foi alcançada com o Armistício de Mudanya, assinado por todas as partes a 11 de outubro de 1922. A 24 de julho de 1923 foi assinado o Tratado de Lausanne, onde se reconhecia formalmente o governo dos nacionalistas sediado em Ancara como sucessor do poder otomano e se definiam as fronteiras da Turquia.

O fim da guerra ficou marcado pela primeira transferência populacional compulsiva em larga escala do século XX, que envolveu a troca entre os cidadãos cristãos da Turquia (na sua maioria gregos ortodoxos) e os muçulmanos da Grécia. Calcula-se que cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas das suas terras ancestrais. Os cristãos de Istambul foram poupados à expulsão, mas muitos deles optaram por emigrar. No entanto, as leis discriminatórias das décadas de 1930 e 1942 e os incidentes violentos de 1955 contra a comunidade grega de Istambul provocou a diminuição drástica do número de gregos nessa cidade, que passou de 200000 em 1924 para pouco mais de 2500 em 2006.

O Império Otomano terminou oficialmente em 1 de Novembro de 1922, quando a Grande Assembleia Nacional aboliu o cargo de sultão, destituindo Mehmed II. A República da Turquia foi oficialmente proclamada a 29 de Outubro de 1923. A 3 de Março de 1924 foi decretada a expulsão da família real otomana e abolição do califado, o que constituiu um claro sinal da laicidade e irreversibilidade do regime.

Mustafa Kemal (Atatürk) tornou-se o primeiro presidente da República e empreendeu um vasto programa de reformas que tinha como objetivo tornar a Turquia um estado secular moderno, baseado na ideologia que é conhecida como kemalismo. As mulheres passaram a ter os mesmos direitos legais que os homens, inclusivamente de voto, algo que não existia então em muitos países europeus. Foi publicado um código civil e um código penal. A educação passou para as mãos do estado, sendo encerradas as escolas islâmicas. Em 1928 foi adotado o alfabeto turco, de grafia latina, em substituição dos alfabetos árabe e persa.

A Turquia permaneceu neutral durante a maior parte da Segunda Guerra Mundial, mas acabou por se juntar aos Aliados a 23 de fevereiro de 1945. Após o final do conflito tornou-se membro das Nações Unidas. A Guerra Civil da Grécia (1946-1949), que opôs o governo monárquico apoiado pelos Estados Unidos e Reino Unido, aos rebeldes comunistas, e as exigências da União Soviética em estabelecer bases militares nos Estreitos Turcos, levou os Estados Unidos à criação da Doutrina Truman, a qual defendia o apoio militar e económico em larga escala à Grécia e Turquia para conter a expansão comunista nos respetivos países.Depois de participar nas forças das Nações Unidas que combateram na Guerra da Coreia, a Turquia aderiu à NATO em 1952, tornando-se um bastião contra a expansão soviética no Mediterrâneo. Após uma década de violência étnica em Chipre e do golpe militar dos cipriotas gregos que depôs o Arcebispo Makarios da presidência, a Turquia invadiu a ilha em 1974; nove anos depois foi proclamada a República Turca de Chipre do Norte, a qual só é reconhecida pela Turquia.

Até 1945, a República da Turquia foi um regime unipartidário. A transição para uma democracia pluripartidária foi tumultuosa. Em 1960, 1971, 1980 e 1997 ocorreram golpes de estado militares que interromperam a democracia e originaram governos muito repressivos. O golpe militar de 1997 é chamado por muitos de golpe pós-moderno porque os militares não tomaram o poder de facto, limitando-se a impor as suas condições que passavam principalmente pela defesa da manutenção estrita do secularismo kemalista, por oposição às tendências islâmicas de alguns dos partidos mais votados.

A liberalização da economia iniciada na década de 1980 mudou completamente o panorama económico, com sucessivos períodos de crescimento acentuado e a crise do final da década seguinte. A cooperação económica da Turquia com a Comunidade Económica Europeia (CEE), data de 1959, ano em que solicitou pela primeira vez a sua adesão. Desde 1963 que o país é um membro associado da CEE. Em 1987 foi apresentada formalmente a candidatura à adesão, mas as negociações formais só se iniciaram em 2005.

O referendo de 12 de setembro de 2010 abriu caminho a alterações constitucionais que vão no sentido de aproximar a democracia turca aos modelos ocidentais. O sim no referendo teve o apoio de setores islâmicos menos moderados porque se espera que a liberalização acabe de vez com as proibições radicalmente laicas impostas Atatürk, das quais a mais emblemática é a proibição do uso do véu em instituições públicas, nomeadamente escolas, o que, segundo alguns leva a que as jovens de famílias mais conservadoras tenham dificuldades no acesso à educação devido às crenças religiosas que as obrigam a usar véu em público.

O desejo de maior autonomia, quando não mesmo de independência, de certos sectores políticos curdos é, desde há décadas, a maior fonte de conflitos internos na Turquia. O nacionalismo curdo surgiu no final do século XIX e na Turquia foi intensificado pelo secularismo e centralismo kemalista, que ia contra as tradições islâmicas e contra uma certa descentralização e autonomia do Império Otomano, cuja organização refletia explicitamente o carácter multi-étnico do império. Apesar de, por exemplo, a constituição de 1961 reconhecer a liberdade de expressão, de imprensa e de associação aos curdos, na maior parte do tempo isso não aconteceu nem ainda acontece, havendo repressão de grau variável conforme as inclinações políticas dos governos e da maior ou menor intervenção direta na política dos militares, tradicionalmente o bastião do kemalismo. A constituição actual não reconhece os curdos como minoria, e apesar de recentemente o idioma curdo ter sido autorizado para uso informal e autorizadas emissões de rádio e de televisão em curda, ainda que de forma muito limitada, até há pouco tempo ainda era proibido ensinar curdo nas escolas. A situação agravou-se a partir dos anos 1970, quando foi fundado o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), de inspiração marxista, que em 1984 iniciou uma luta armada, que em alguns períodos quase que assumiu a forma de guerra civil localizada, e esteve na origem de vários atentados terroristas. Estima-se que o conflito já provocou cerca de 30000 mortos, entre militares turcos, milícias do PKK e vítimas de terrorismo, e que mais de um milhão de pessoas foram deslocadas desde o início do conflito armado. A atuação dos militares e forças de segurança turcas contra os curdos a pretexto da luta anti-terrorista está na base da maior parte das acusações internacionais de violação dos direitos humanos contra a Turquia.

Comentários

O seu endereço de email não será publicado.