Malaca é a capital do estado de Malaca com 500 mil habitantes, situada 150 kms a sudeste de Kuala Lumpur e 245 a norte de Singapura. Devido à sua história foi classificada de Património Mundial. Malaca foi fundada em 1400 pelo príncipe Parameswara proveniente de Sumatra, por ser um bom porto estratégico no Estreito de Malaca. Converteu-se ao Islão em 1414 e passou a chamar-se Sultão Iskandar Xá, originando o Sultanato. Com a colaboração dos povos do mar – corsários proto-malaios dos Estreitos, Parameswara fez de Malaca um grande porto internacional, ao compelir os navios de passagem a aportar ali e ao estabelecer instalações confiáveis e justas para depósito e comércio. No seu auge, Malaca era um sultanato poderoso que controlava o sul da Península Malaia e grande parte de Sumatra. A sua presença impediu o avanço dos siameses na direção sul e possivelmente acelerou o declínio de seu rival, o Império Majapahita de Java. Em abril de 1511, Afonso de Albuquerque zarpou de Goa para Malaca com uma força de cerca de 1200 homens e 17 navios. Malaca tornou-se uma base estratégica para a expansão portuguesa nas Índias Orientais, subordinada ao Estado Português da Índia. Mahmud Xá, último sultão de Malaca, refugiou-se no interior, de onde empreendia ataques intermitentes por terra e mar. Entretanto para defender a cidade, os portugueses ergueram um forte (cuja porta, chamada “A Famosa”, ainda existe). Em 1521 o Capitão Duarte Coelho Pereira construiu a igreja de Nossa Senhora do Monte. Logo ficou claro que o controle português de Malaca não significava o controle do comércio asiático que por ali passava. Seu domínio sobre o local sofria com dificuldades administrativas e económicas. Em vez de concretizar sua ambição de controlar o comércio asiático, o que os portugueses haviam logrado fora desorganizar a rede mercantil da região. O missionário jesuíta Francisco Xavier passou vários meses em Malaca. Em 1641, forças da Companhia Holandesa das Índias Orientais bateram os portugueses e capturaram Malaca com o apoio do sultão de Johor. Os holandeses governaram Malaca de 1641 a 1795, mas não se interessaram em desenvolvê-la como centro comercial, preferindo enfatizar o papel de Batávia (atual Jacarta). Malaca foi cedida aos britânicos pelo tratado Anglo-holandês de 1824, em troca de Bencoolen, em Sumatra. Entre 1826 e 1946, Malaca foi governada pela Companhia Britânica das Índias Orientais e, em seguida, como uma colónia da Coroa. Integrava os chamados Straits Settlements, juntamente com Singapura e Penang. Com a dissolução desta colónia, Malaca e Penang tornaram-se parte da União Malaia.
Um facto que marca a cidade de Malaca em termos históricos trata-se da comunidade de descendência portuguesa que ainda hoje persiste com uma população de cerca de 4 mil habitantes. Falam um creoulo português denominado kristão, são católicos e mantêm muitas das tradições portuguesas do século XVII, além da cultura e gastronomia. Esta comunidade concentra-se num bairro junto ao mar, chamado Portuguese Settlement, situado a sul do centro da cidade e tem como coração uma praça com restaurantes de comida portuguesa. Em termos de património, o centro histórico de Malaca é riquíssimo com destaque desde logo para “A Famosa” (Porta de Santiago), uma porta de entrada no forte português construído em 1511 que é hoje o único vestígio do forte que foi destruído durante a invasão holandesa e que seria totalmente destruído pelos ingleses se não fosse a intervenção de Sir Stamford Raffles em 1808, o famoso fundador de Singapura. Também portuguesa é a Igreja de São Paulo, baptizada pelos portugueses de Igreja de Nossa Senhora do Monte, que fica na colina sobre a cidade, já sem tecto e um pouco em ruina mas actualmente bem preservada. A Igreja de São Pedro, na parte baixa da cidade, foi construída em 1710 pelos holandeses e a Igreja de Cristo (Christchurch) em 1753 em arquitectura holandesa. A Câmara Municipal (Stadthuys) foi construída em 1650 como residência do governador. No coração do bairro histórico de Malaca, fica Jonker Street (Jalan Hang Jebat), com o seu comércio e animação, bem como outras ruas nas redondezas. Jalan Tukang Emas é uma rua que simboliza o que deveria ser a convivência pacífica entre religiões, com o Templo Budista Cheng Hoon, a Mesquita Kampung Kling (1784) e o Templo hindu Sri Poyyatha Vinayagar (o mais antigo da Málásia de 1781) todos lado a lado do mesmo lado da rua. Ainda parte da história da cidade realça-se o Museu Marítimo, situado numa réplica da nau portuguesa(especificamente um galeão) “Flor do Mar” (referida como “Frol de la Mar”) que se afundou perto de Malaca em 1511 e o Museu Baba Nyonya Heritage, apresentado a cultura deste povo. Outras atracções menos históricas da cidade incluem os pequenos cruzeiros pelo Rio de Malaca e a Menara Taming Sari, uma torre panorâmica de 110 metros com um miradouro rotativo.
