Itália

Campania     *     Lazio     *     Liguria     *     Lombardia     *     Piemonte     *     Toscania     *     Veneto

Itália é uma república parlamentar com uma população de 60 milhões de habitantes e uma superfície de 301338 km2. Ao norte, faz fronteira com França, Suiça, Áustria e Eslovénia, ao longo dos Alpes. Ao sul, que consiste na totalidade da Península Itálica, Sicília, Sardenha, as duas maiores ilhas no Mar Mediterrâneo, e muitas outras ilhas menores ficam no entorno do território italiano. Os Estados independentes de San Marino e do vaticano são enclaves no interior de Itália. Roma é a capital de Itália.

Os Apeninos formam a espinha dorsal da península e os Alpes formam a sua fronteira norte, onde está o ponto mais alto da Itália, o Monte Branco (4810 m). O Rio Pó, maior rio da Itália (652 km), flui dos Alpes na fronteira oeste com a França e atravessa a planície da Padânia no seu caminho para o Mar Adriático. Os cinco maiores lagos são: Garda (367,94 km²), Maggiore (212,51 km²), Como (145,9 km²), Trasimeno (124,29 km²) e Bolsena (113,55 km²).

O país está situado no ponto de encontro das Placas eurasiática e africana, levando a uma atividade sísmica e vulcânica considerável. Existem 14 vulcões na Itália, três dos quais estão ativos: Etna, Stromboli e Vesúvio. O Vesúvio é o único vulcão ativo da Europa continental e é o mais famoso pela destruição de Pompeia.

O catolicismo romano é a maior religião do país. 87,8% dos italianos identificam-se como católicos romanos, contudo apenas um terço descrevem-se como membros ativos (36,8%). A sede mundial da Igreja Católica situa-se no Vaticano desde o terceiro século, quando o bispo de Roma passou a ser considerado bispo supremo e recebeu o título “Papa”.

O idioma oficial é o italiano, falado por quase toda a população. O italiano padrão é uma língua derivada do dialeto da Toscana.

História

A população da Itália remonta aos tempos pré-históricos, época da qual foram encontrados importantes vestígios arquelógicos. Entre os diversos povos da antiguidade destacam-se os lígures, os vénetos e os celtas no norte, os latinos e os etruscos samnitas no centro, enquanto no sul prosperaram colónias gregas.

Uma das mais importantes culturas antigas desenvolvidas em solo italiano foi a etrusca (a partir do século VIII a.C.), que influenciou profundamente Roma e sua civilização, na qual muitas tradições importantes de origem Mediterrânea e Eurasiática encontraram a mais original e duradoura síntese política, económica e cultural. Nascida na Península Itálica, desde sempre terra de origem e de encontro entre diversos povos e culturas, a civilização romana foi capaz de explorar as contribuições provenientes dos etruscos e de outros povos itálicos, da Grécia e de outras regiões do Mediterrâneo Oriental. Graças ao seu império, Roma difundiu a cultura heleno-romana pela Europa e pelo Norte de África que foram os limites de sua civilização.

Após a queda do Império Romano do Ocidente, o território da península dividiu-se em vários estados, alguns independentes, alguns parte de estados maiores (inclusive fora da península Itálica). O mais duradouro entre eles foram os Estados Pontifícios, que resistiram até a tomada italiana de Roma em 1870 e que foi mais tarde reconstituído como o vaticano, no coração da capital italiana. Depois da queda do último imperador romano do Ocidente, seguiu-se o domínio dos hérulos e, em seguida, dos ostrogodos. A reanexação da Itália ao Império Romano do Oriente realizado por Justiniano I, em virtude das Guerra Góticas, na metade do século VI d.C., foi curta, uma vez que, já entre 568 e 570, os lombardos, povos germânicos provenientes da Hungria, ocuparam parte do país, mas representaram uma formidável continuidade política e cultural e a garantia da prosperidade económica da península e de toda a Europa por muitos anos.

Depois a área sob domínio romano-bizantino foi sujeita a fragmentações territoriais, mas conseguiu resistir até o final do século XI, enquanto os lombardos tiveram que se submeter aos francos comandados por Carlos Magno a partir da segunda metade do século VIII. No ano 800, a Itália central tornou-se parte do Sacro Império Romano-germânico, embora pouco depois a Sicília tenha passado ao domínio árabe. O desenvolvimento de cidades-Estado (a partir do século XI) deu novo impulso à vida económica e cultural do norte e centro da Itália, enquanto no Sul, com a invasão normanda, formou o Reino da Sicília um dos mais modernos, tolerantes e mais bem administrados da Europa naquela época. Dos municípios formaram-se as repúblicas marítimas e mais tarde, as signorias.

Durante a época das cidades-estado começaram o Humanismo e o Renascimento, caracterizados por um grande renascimento das artes, o que teve grande influência no resto da Europa. A ocupação estrangeira e as diversas transformações dos estados que se tinham formado continuaram até a primeira metade do século XIX, quando se desenvolveu, influenciados pela Revolução Francesa as Guerras Napoleónicas, uma série de movimentos a favor da criação de uma Itália independente e unificada; este período é chamado de Risorgimento.

A Itália contemporânea nasceu como um estado unitário, quando em 17 de março de 1861, a maioria dos estados da península e as duas principais ilhas foram unidas sob o comando do Rei da Sardenha Vitor Emanuel II da Casa de Sabóia. O arquiteto da unificação da Itália era o primeiro-ministro da Sardenha, Conde Camilo Benso de Cavour, que apoiou (embora não reconhecendo diretamente) Giuseppe Garibaldi, permitindo a anexação do Reino das Duas Sicílias ao Reino da Sardenha-Piemonte.

O processo de unificação teve a ajuda da França, que – juntamente com o Reino Unido – tinha um interesse em criar um estado anti-Habsburgo comandado por uma dinastia amiga (Sabóia) e capaz de impedir o surgimento de um estado republicano e democrático na Itália. A primeira capital do reino foi Turim, a antiga capital do Reino de Sardenha e ponto de partida do processo de unificação da Itália. Depois da convenção de setembro de 1864, a capital foi transferida para Florença. Em 1866, a Itália adquiriu do Império Austríaco, o Véneto, após a guerra, na qual a Itália era aliada da Prússia de Bismarck. Na unificação, permaneceram excluídos a Córsega e a região de Nice, cidade natal de Garibaldi, assim como Roma e os territórios vizinhos que estavam sob o controle do Papa e protegido por Napoleão III. Graças à derrota da França pelos prussianos, após uma rápida ação militar em 20 de setembro de 1870, também fora anexada Roma e proclamada a capital do reino. Mais tarde, com o Tratado de latrão em 1929, o Papa obteve a soberania da Cidade do Vaticano. Outra entidade autónoma dentro das fronteiras italianas é a República de San Marino. Mas mesmo após a conquista de Roma em 1870, a Unificação de Itália ainda não estava completa, pois faltavam ainda as chamadas “terras irredentas”: O Trentino, Trieste, a ístria e a Dalmácia que os nacionalistas clamavam como pertencentes à Itália. O Trentino, Trieste, a Ístria e Fiume foram anexados depois dos tratados de paz, após a Primeira Guerra Mundial, impostos pela França, Reino Unido e Estados Unidos aos Impérios Centrais, perdedores da guerra.

A turbulência que se seguiu à devastação da Primeira Guerra Mundial, inspirado pela Revolução Russa de 1917, levou à turbulência e anarquia. O governo liberal, temendo uma revolução socialista, começou a endossar o pequeno Partido Nacional Fascista, liderado por Benito Mussolini. Em outubro de 1922, os fascistas tentaram um golpe de estado apoiado pelo rei Victor Emmanuel III. Nos anos seguintes, Mussolini proibiu todos os partidos políticos e liberdades pessoais, formando assim uma ditadura. Em 1935, Mussolini invadiu a Etiópia, resultando numa alienação internacional e levando à retirada da Itália da Liga das Nações. Consequentemente, a Itália à Alemanha nazi e o Império do Japão e dando forte apoio a Franco na Guerra Civil Espanhola. Em 1939, a Itália ocupou a Albânia e entrou na Segunda Guerra Mundial em junho de 1940 ao lado das potências do eixo. Mussolini, querendo uma vitória rápida como a Blitzkrieg de Hitler na Polónia e na França, invadiu a Grécia em outubro de 1940, mas foi forçado a aceitar um empate humilhante depois de alguns meses. A Itália foi então invadida pelos Aliados em julho de 1943, levando ao colapso do regime fascista e à queda de Mussolini. Em setembro de 1943, a Itália rendeu-se. O país manteve-se em campo de batalha durante o resto da guerra, enquanto os aliados estavam movendo-se a partir do sul e o norte era a base para italianos leais ao regime fascista e forças nazistas alemães. As hostilidades terminaram em 2 de maio de 1945. Quase meio milhão de italianos (incluindo civis) morreram no conflito e a economia italiana tinha sido completamente destruída.

A Itália tornou-se uma república, após um referendo realizado em 2 de junho de 1946, um dia comemorado desde então como o Dia da República. Esta foi também a primeira vez que as mulheres italianas tiveram direito ao voto. O filho de Vitor Emmanuel III, Humberto II, foi forçado a abdicar e foi exilado. A constituição republicana foi aprovada em 1 de janeiro de 1948. O Plano Marshall ajudou a reavivar a economia italiana, que, até final dos anos 1960, desfrutou de um período de crescimento económico sustentado. Em 1957, a Itália foi um membro fundador da Comunidade Económica Europeia (CEE), que posteriormente se tornou a União Europeia em 1993.

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