Hungria

Sem fronteira com o mar, a Hungria ocupa a maior parte da Grande Planície Húngara, no centro-sul da Europa, delimitada a leste pelos Alpes e a oeste pelos montes Cárpatos. O rio Danúbio cruza o país de norte a sul e divide sua capital Budapeste em Buda (parte alta) e Peste (parte baixa). A superfície da Hungria é 93.032 km2 e a população 10.106.017 habitantes. O país tem fronteiras com a Eslováquia a norte, com a Ucrânia e a Roménia a leste, com a Eslovénia, a Croácia e a Jugoslávia a sul, e a Áustria a oeste.

O pico mais elevado da Hungria é o Monte Kékes com 1015 m. As principais regiões são a Grande planície húngara, a Pequena planície húngara, a Transdanúbia (sistema montanhoso) e as Montanhas do Norte.

Budapeste é a capital e maior cidade da Hungria com 2 milhões de habitantes. A cidade é dividida em duas partes separadas pelo Rio Danúbio: a parte de Buda com as suas colinas cheias de história e a parte plana de Peste mais movimentada. Eram duas cidades distintas mas fundiram-se em Budapeste em 1873. Nesta cidade que já desempenhou papéis relevantes na história europeia é rica em monumentos e arquitectura.

Começando por Buda, a Colina do Castelo é um lugar magnífico para caminhar pelas ruas medievais e apreciar o panorama de todo o lado de Peste, o rio e a Colina Gellért. No topo da colina fica o imponente Palácio Real, construído no século XIV e reconstruído em estilo barroco 400 anos mais tarde. Foi a residência dos reis húngaros durante 700 anos. Actualmente alberga os melhores museus da Hungria e a Biblioteca Nacional. Bem perto do Palácio fica a Igreja Matthias, com 700 anos, onde os reis eram coroados. Uma grande atracção turística é o chamado Bastião dos Pescadores, um miradouro monumental onde se tem a melhor vista da cidade, com o rio e Peste aos nossos pés, incluindo a magnífica visão do Parlamento neo-gótico e a famosa Ponte Széchenyi (“Chain Bridge”).
A colina Gellért é uma reserva da natureza no meio da cidade. Aqui fica a Cidadela e 3 dos famosos hotéis-spa de Budapeste.
A famosa Ponte Széchenyi liga Buda a Peste e é um dos principais símbolos da cidade. Já deste lado de Peste, é obrigatória a visita à principal rua pedestre Váci utca com as suas lojas elegantes, cafés e restaurantes. A Basílica de St. István (São Estevão) é a maior igreja de Budapeste, construída em estilo neo-renascentista. O Museu Nacional é o melhor monumento da arquitectura húngara clássica. O antigo bairro judeu Erzsébet deve ser explorado a pé. Aqui fica a maior sinagoga da Europa com lugar para 3000 pessoas. O Parlamento da Hungria é talvez o mais famoso edifício da cidade, no seu estilo sumptuoso neo-gótico de grande dimensão. Caminhando pelo Andrássy Boulevard encontra-se lindas mansões dos séculos XIX e XX e também a Ópera de Budapeste.
O Parque da Cidade contem a monumental Praça dos Heróis.

Lago Balaton é também chamado o Mar da Hungria (já que o país não tem qualquer mar). É um lago com 80 km de comprimento na região central da Hungria (a 100 kms de Budapeste) e por isso um dos seus principais tesouros e a principal estância de férias do país. Na margem norte do lago ficam as estâncias de Balatonfüred e Tihany, esta última cidade fica numa península de origem vulcânica que entra pelo lago. Tem uma igreja distinta que vista à distância se enquadra com perfeição na paisagem do lago.


Geografia

Budapeste fica situada na parte central da Hungria, nas margens do Rio Danúbio. Existem boas ligações rodoviárias com a Europa Ocidental, nomeadamente a Viena, Bratislava e Praga. Para leste as ligações são pobres. No futuro o país vai beneficiar de grandes investimentos em infra-estruturas com a adesão à União Europeia. Budapeste fica a 240 kms de Viena, 194 kms de Bratislava, 525 kms de Praga, 700 kms de Varsóvia, 760 kms de Bucareste e 365 kms de Belgrado.
Como capital europeia, Budapeste tem um aeroporto internacional com muitos vôos para o resto da Europa.

História

O actual território da Hungria fazia parte das províncias romanas da Dácia e da Panónia. Como estava situado na periferia do Império Romano, este território foi dos primeiros a ser invadido pelos povos germânicos, por volta do séc. 11. As tribos germânicas foram mais tarde afastadas pelos Hunos. No séc. V, é a vez dos Avres estabelecerem um reino na Panónia e no séc. VIII, os morávios conquistaram as regiões Norte e Este do território. Carlos Magno, Rei dos Francos, anexa o restante território, entre 791 e 797. Um século mais tarde, os magiares (húngaros) abandonam o terreno que ocupavam nas planícies a Leste dos Cárpatos e, movem-se para o Oeste, descendo para a região que veio a tomar o seu nome (cerca de 896). Destruíram o reino morávio, empreenderam incursões na Alemanha e na Itália, sendo por fim derrotados pelos reis alemães.

No séc. X, a cultura ocidental e cristã começaram a penetrar na Hungria e com a subida ao trono de Ladislau I, foram conquistadas a Croácia, a Bósnia e a Transilvânia. A monarquia húngara foi perdendo o seu poder ao longo do séc. XII. Em 1241, o território foi invadido pelos mongóis que acabaram por se retirar. Com a morte de André III finalizou a dinastia Arpád e a coroa húngara tornou-se hereditária. Em 1307, sobe ao trono Luís I da casa de Anjou e, com ele, a soberania dos reis húngaros estendeu-se até à Moldávia, Valáquia, Bósnia, Sérvia e Bulgária. Com Alberto V, da Áustria, (1438-39), os Habsburgos tiveram acesso ao trono húngaro. Em 1458, sobe ao trono Matias Corviro, que foi considerado o maior rei da Hungria. Os seus importantes êxitos militares, as conquistas da Morávia, da Silésia e da Lusatia, tornaram a Hungria um dos reinos mais poderosos da Europa Central desse período.

Em Agosto de 1521, o exército turco conquista Belgrado e Sabac. Após a derrota frente aos turcos, Fernando I da Áustria foi eleito Rei, o que lançou as bases para o domínio dos Habsburgos na Hungria. Em 1686, Budapeste é reconquistada pelos cristãos, e os turcos cedem à Austria a maior parte da Hungria e da Transilvânia. Em 1887, o Rei Leopoldo I forçou os húngaros a declarar que a coroa húngara ficaria para sempre hereditária na casa dos Habsburgos.

Em 1867, o imperador Francisco José I instaura um sistema de monarquia dualista, dando à Hungria um estatuto semelhante ao Áustria. Contudo, as contradições entre uma Hungria agrária e uma Áustria industrial eram cada vez maiores. A monarquia dualista durou até à derrota do Império Austro-Húngaro e da Alemanha, na I Guerra Mundial. Em Novembro de 1918, o Império foi oficialmente dissolvido, sendo proclamada a República Democrática da Hungria, tendo Mihaly Karoly como presidente. No mês de Março de 1919, é instalado um regime comunista liderado por Bela Kuhn. Entretanto, tropas romenas invadem a Hungria. E em 1920, é restaurada a monarquia.

A 4 de Junho de 1920, é assinado o Tratado de Trianou, pelo qual a Hungria perde três quartos do seu território, e um terço da população, para a Roménia, Jugoslávia e Checoslováquia. Foi nomeado o Almirante Nicholas Horthy como regente da monarquia. Em Janeiro de 1939, a Hungria adere ao Pacto Anti-Komitern, com a Alemanha, Itália e Japão e mostra-se declaradamente pró-eixo. Com a ajuda da Itália e da Alemanha, a Hungria recupera as terras perdidas para a Checoslováquia e para a Roménia, retomando as antigas fronteiras. Em Março de 1944, o exército alemão ocupou a Hungria, perseguiu oposicionistas e judeus, matando ou deportando centenas de milhares de pessoas.

A 7 de Outubro de 1948, o exército soviético invade a Hungria e apoia os comunistas na tomada do poder; Rakosi assume a liderança do partido. Os membros da Igreja são perseguidos, as indústrias nacionalizadas e os camponeses obrigados a colectivizar as suas terras. Após a morte de Estaline (1953), Rakosi é substituído por Imre Nagy, mais moderado, que amnistiou alguns prisioneiros políticos. A Hungria adere ao pacto de Varsóvia. Em 1955, Nagy é destituído pela ala dura do partido comunista, após ter tentado uma abertura política. Entretanto, aumenta o descontentamento social, provocando uma revolta contra o regime, que explode em Budapeste, em 1956. Janos Kádar estabelece um contra-Governo e pede auxílio à URSS. A 14 de Novembro, tropas soviéticas invadem o pais, reprimindo a revolta. Centenas de húngaros foram executados, milhares aprisionados e quase 200.000 pessoas fugiram para a Áustria. É instaurada uma ditadura comunista com Kádar na presidência, situação que se manteve durante cerca de três décadas. Nagy foi preso e executado.

No ano de 1987, Karoly Grosz é eleito Primeiro-Ministro, passando a liderar o partido em 1988. O Partido Comunista Húngaro decreta a sua própria dissolução e reconstitui-se como Partido Socialista Húngaro (PSH). O país abandona o regime comunista. O ano de 1988 é ainda marcado por uma grande manifestação onde se reclamava a liberdade de imprensa e eleições livres. Em 1989, é adoptado o multipartidarismo e formam-se vários partidos. A 23 de Outubro, o país passa a chamar-se apenas República da Hungria. Em 1990, o Fórum Democrático Húngaro vence as eleições legislativas e Arpád Gorez é nomeado presidente da República designando Jozsef Artall para Primeiro-Ministro. Em Junho de 1991, é completada a retirada das tropas soviéticas do território húngaro.

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