Finlândia

Helsínquia     *     Turku

Finlândia é um país nórdico que faz fronteira com a Suécia, Rússia e Noruega, estando ainda separada da Estónia por uma pequena distância de mar no Golfo da Finlândia. A capital do país é Helsínquia. A população é de cerca de 5,3 milhões de habitantes e a área 338145 km2.

A língua materna de quase toda a população é o finlandês, que é uma das línguas fino-úgricas e é mais estreitamente relacionado com o estónio. A segunda língua oficial da Finlândia – o sueco – é a língua nativa de 5,5 % da população. A Finlândia é um país com milhares de lagos e ilhas. Um destes lagos, o Saimaa, é o 5º maior lago da Europa.

A paisagem finlandesa é predominantemente plana, com algumas colinas e montes baixos. O ponto mais alto do país, o Halti, com 1328 m, encontra-se no extremo norte da Lapónia. Cerca de 75% da área terrestre do país está coberto por Taiga (ou floresta boreal). Grande parte das ilhas estão localizadas no sudoeste, incluindo as Ilhas Aland. Um quarto do território finlandês situa-se a norte do Circulo Polar Ártico. No ponto mais setentrional da Finlândia, o Sol não se põe durante 73 dias no verão e não nasce durante 51 dias no inverno.

Com cerca de 4,1 milhões (ou 76,4% da população) de crentes, a maioria dos finlandeses são membros da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia.

História

De acordo com evidências arqueológicas, a área onde agora é a Finlândia foi estabelecida primeiramente em torno de 8500 a.C. Os povos mais adiantados provavelmente eram caçadores e camponeses, vivendo na tundra e com o que o mar poderia oferecer. Desconfia-se que os falantes das línguas fino-úgricas chegaram à área durante a Idade da Pedra.

Os primeiros suecos desembarcaram na costa finlandesa na época medieval. Os reis suecos estabeleceram as primeiras regras no país em 1249. Pouco tempo depois, o país foi agregado e completamente colonizado pela Suécia. O sueco tornou-se a língua oficial da nobreza, administração e educação. O finlandês tornou-se uma língua secundária, falada principalmente pelos camponeses e pelo clero.

Durante a reforma Protestante, grande parte do país aderiu ao luteranismo. No século XVI, a primeira universidade do país, “The Royal Academy of Turku”, foi inaugurada em 1640. O país passou por uma grave fome entre 1676 e 1697 e cerca de um terço da população morreu. No século XVIII, uma intensa guerra entre Suécia e Rússia acarretou em duas ocupações da Rússia no país, foi a Grande Guerra do Norte, na qual a Suécia enfrentou Rússia, Dinamarca, Noruega e a República das Duas Nações. Ao fim, a guerra tornou-se um conflito concentrado entre Suécia e Rússia, a chamada Guerra Finlandesa.

Em 29 de Março de 1809, depois de ter sido tomada pelas forças militares de Alexandre I da Rússia, a Finlândia tornou-se o Grão Ducado da Finlância, autónomo no Império Russo até o fim de 1917. Durante esse tempo, a língua finlandesa ganhou mais espaço, e a partir de 1860, um forte movimento popular nacionalista cresceu.

Em 1882, o finlandês foi declarado o idioma oficial no estatuto nacional. A fome matou cerca de 15% da população entre 1866 e 1868, uma das maiores fomes da história europeia, o que levou a Rússia a facilitar a regulamentação financeira. O crescimento económico e político foi rápido.

Em 1906, o movimento conhecido como Sufrágio Universal foi adotado no país. No entanto, a relação entre o Grão-ducado da Finlândia e a Rússia entrou em crise quando o governo russo, diante do crescimento do país, quis restringir a autonomia dada inicialmente. Após a Revolução de Fevereiro a posição da Finlândia como parte da Rússia passou a ser questionada, principalmente pelos democratas sociais. Uma vez que o chefe de estado era o Czar russo, não ficava claro quem era o chefe executivo após a revolução. Os democratas assinaram o chamado “Power Law”, que daria autoridade máxima ao Parlamento. No entanto, o governo russo não aprovou e dissolveu o parlamento pela força, o que foi considerado ilegal pelos democratas, uma vez que grande parte da influência russa sobre a Finlândia foi finalizada pelo “Power Law”. Novas eleições foram realizadas e o partido de direita venceu, ele que era o principal inimigo político dos democratas. O partido derrotado recusou-se a aceitar o resultado e ainda alegou que a dissolução de parlamento foi extralegal. Os dois partidos, quase igualmente poderosos, tornaram-se altamente antagonizados. A revolução russa de Outubro mudou o jogo novamente. De repente, o partido de direita reconsiderou a sua decisão de bloquear a transferência do poder executivo russo para a Finlândia, já que radicais russos haviam tomado o poder na Rússia após a queda do czar Nicolau II. Ao invés de continuar vinculando o “Power Law”, o partido declarou a independência do país em 6 de Dezembro de 1917. A independência do país foi reconhecida pelo Tratado de Brest-Litovski, firmado 1918.

Depois de uma terrível guerra civil, o partido de direita derrotou os democratas, apoiados pelos Bolcheviques russos. Após a assinatura do Tratado de Brest-Litovski, tropas alemãs desembarcaram em hanko, e em 13 de Abril de 1918 tomaram Helsínquia. Em 13 de Maio celebrou-se a vitória da “Finlândia Branca”, quando as tropas soviéticas russas se retiraram do país. Em 9 de Outubro de 1918, o senado finlandês escolheu o alemão Federico Carlos de Hesse como rei. A abolição da monarquia na Alemanha também acabou com a monarquia na Finlândia, e Frederico nem sequer chegou a visitar o país, renunciando o cargo em 14 de Dezembro. A Finlândia tornou-se oficialmente parlamentarista e elegeu Kaarlo Juho Stahlberg como seu primeiro presidente.

Entre 1918 e 1920 a Finlândia fez várias incursões em territórios russos, essas viagens ficaram conhecidas como “Heimosodat”, cujo objetivo era criar a Grande Finlândia, o que não aconteceu. O “Tratado de Tartu”, firmado com a Rússia em 1920, definiu as fronteiras entre os dois países.

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Finlândia e a União Soviética (URSS) enfrentaram-se duas vezes. Durante 872 dias, tropas finlandesas e alemãs sitiaram Leninnegrado, uma das principais cidades da URSS. Após a derrota da Alemanha pelas frentes orientais e o subsequente avanço soviético, a Finlândia foi forçada a se retratar com a URSS, e aceitar exigências de reparações e controle. Vários tratados assinados entre 1947 e 1948 determinavam que a Finlândia devia ceder à URSS boa parte de seu território, foi o “Tratado de Paz de Moscovo”. A Finlândia foi forçada a reparar a URSS pelos danos de guerra e a ceder partes da região da Caréli, bem como partes das cidades de Salla e Pechenga, que representavam juntas 10% de seu território e 20% de sua capacidade industrial, dentre eles o “Porto de Vyborg”.

O país teve de rejeitar a ajuda do Plano Marshall, elaborado para reestruturar a Europa, mas foi secretamente amparada pelos Estados Unidos, que ajudaram no desenvolvimento e contribuíram com o partido dos democratas para preservar a independência do país. A Finlândia passou a estabelecer comércio com o Reino Unido, e as reparações de guerra transformaram o país numa potência industrial. Mesmo após os reparos da URSS terem sido feitos, o país que é pobre em alguns recursos naturais como petróleo e ferro, continuava parcialmente dependente da URSS em questões econômicas.

Em 1950, metade dos trabalhadores finlandeses estava em áreas agrícolas e 30% viviam em áreas urbanas. Novas oportunidades na indústria e comércio atraíram pessoas para as cidades. Os Jogos Olímpicos de 1952 trouxeram muitos turistas para o país. Como na década de 70 as oportunidades de trabalho não cresceram, milhares de pessoas emigraram para a área principal da Suécia.

Apesar de pretender ficar neutra durante a Guerra Fria, a Finlândia esteve na chamada “Zona Cinzenta” entre os países ocidentais. O “Tratado de YYA” deu à URSS grande influência dentro da Finlândia, o que foi altamente explorado pelo presidente Urho Kekkonen contra seus adversários. Ele manteve o monopólio efetivo nas relações com a URSS, o que aumentou muito sua popularidade. Tentou-se também evitar declarações políticas que fossem consideradas anti-soviéticas, a chamada finlandização. Essa censura também servia para literatura e qualquer tipo de meios de comunicação.

Tida como uma ponte entre os blocos capitalista e comunista, em 1973 a Finlândia participou da Conferência de Segurança e Cooperação Europeia, cuja cata final foi assinada em 1975. O fim da URSS em 1991 implicou o fim da finlandização. Em fevereiro de 1993, a Finlândia começou a negociar sua entrada na União Europeia, o que ocorreu em 1995.

Tal como todos os países nórdicos, a Finlândia tem sua economia liberalizada desde os anos 80. A desregulamentação de mercado foi forte, algumas empresas estatais foram privatizadas e houve modestos cortes fiscais, o país entrou para a zona euro em 1999, no início da sua criação.

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