Estónia

A República da Estónia é um dos três países bálticos constituído por uma porção continental e um grande arquipélago no Mar Báltico. Fica no Golfo da Finlândia e faz fronteira com a Rússia a leste e com a Letónia a sul. A Estónia tem pouco mais de 1,3 milhões de habitantes, em 45 mil km2. A Estónia é membro da União Europeia e da NATO desde 2004 e utiliza o euro como moeda desde 2012. Os estónios são um povo fínico muito ligado aos finlandeses e aos lapões. A língua estónia faz parte do grupo fino-úgrico e é próxima do finlandês. Durante séculos os estónios tiveram a sua terra ocupada por outros povos, o que caracteriza um pouco da influência da Rússia, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Alemanha na cultura estónia. A noção de país veio muito mais tarde, apenas na metade do século XIX, com um forte crescimento cultural somado ao crescimento da população urbana, em decorrência da industrialização e da elevação do nível cultural da população, o que favoreceu a união de povos de mesma origem, resultando num estado autónomo, estabelecido com a promulgação da Constituição de 1917.

Tallinn é a capital da Estónia, localizada no Golfo da Finlândia, na costa norte do país junto ao Mar Báltico, a 80 kms a sul de Helsínquia. Tem cerca de 400000 habitantes, aproximadamente um terço da população total do país. As maiores atracções turísticas de Tallin situam-se na cidade velha, dividida em Cidade Baixa e Colina de Toompea, que pode ser facilmente explorada a pé. A parte leste da cidade, Pirita, também deve ser referida pela Convento de Pirita, o Palácio Kadriorg (antiga residência de Pedro o Grande, construído depois da Guerra do Norte no século XVIII) e o Museu Estónio ao Ar Livre em Rocca al Mare.
All-linn, a parte baixa da cidade, é um dos mais bem preservados centros medievais da Europa. Os principais monumentos incluem a Praça do Município (Raekoja plats), as muralhas da cidade e torres (Kiek in de Kök), bem como algumas igrejas medievais como St Olaf, St. Nicholas e a Igreja do Espírito Santo.
Toompea é a colina fortificada que domina a cidade e que sempre deteve o poder na Estónia. O Castelo de Toompea é a maior atracção, abergando ainda o Parlamento estónio. A Catedral Ortodoxa Alexander Nevsky é imponente e domina o skyline de Tallin. Também a Catedral Luterana Santa Maria é paragem obrigatória, com a subida à torre a permitir uma vista fantástica de toda a cidade. Na parte baixa da cidade, a Igreja St. Olaf tem uma torre com mais de 100 metros de altura que permite também uma vista fantástica de Tallin.


Geografia

Outras cidades importantes da Estónia são a universitária Tartu, a industrial Narva e a estância balnear Pärnu. Das minorias étnicas, destaca-se a russa, localizada predominantemente em Tallinn. Relativamente à religião, há um estudo que indica que apenas 16% dos cidadãos estónios acredita num Deus enquanto 54% “Acreditam que exista algum tipo de espírito ou força vital” e 26% que “Não acreditam que exista qualquer tipo de espírito, Deus, ou força vital”. Isto, segundo o estudo, faz dos estónios, o povo da Europa menos religioso, apesar da tradição Luterana dos países nórdicos.

História

Supõe-se que os primeiros povos que habitaram o actual território da Estónia tenham sido os éstios, nómadas de origem fínica que viviam em tribos semi-organizadas, mas sem unidade. No século XIII, a Igreja Católica organizou através do Rei Valdemar II da Dinamarca, uma cruzada para cristianizar as tribos pagãs do Mar Báltico. A luta que se seguiu por quase 20 anos acabou por delimitar o território estónio.

Em 1248, Tallinn adoptou um governo autónomo baseado na Lei de Lübeck e, anos depois, teve a sua entrada na Liga Hanseática, tornando a região importante comercialmente e assinalando a perda do domínio dinamarquês na região. Em 1343, os estónios, até então subjugados pelos vassalos e tidos apenas como servos dos nobres, organizaram a Revolta da Noite de São Jorge, na qual renunciaram ao cristianismo e lutaram contra a servidão. A Ordem Teutónica que comandava a Livónia acabou com a revolta dois anos depois e comprou o território à Dinamarca. Assim, iniciava-se o período do domínio teutônico sobre a Estónia.

Dois séculos depois o território da Estónia tornou a ter importância. O recém-formado Império Russo invadiu a Livónia, considerando-a terra de seus ancestrais. Enquanto isso, Dinamarca, Suécia e Polónia, que não aprovavam o avanço russo sobre terras tão próximas de seus domínios, contituiram uma aliança militar para conter o avanço russo na região. Teve início então, em 1559, a Guerra da Livónia, na qual lutaram dinamarqueses, suecos e polacos, para obter o território da Livónia e conter o avanço russo. Quando os suecos dominaram a região norte, os polacos a região sul e os dinamarqueses as ilhas do bispado de Ösel-Wiek, teve início outra guerra, a Guerra Nórdica dos Sete Anos. Aí consolidou-se o avanço e o subsequente domínio sueco na região, derrotados os russos em Narva, e conquistadas em 1629 as terras da Livónia, até então controladas pelos polacos. Em 1645, após a nova derrocada da Dinamarca, os suecos foram o terceiro povo a dominar o território da Estónia, mas o que mais trouxe benefícios aos estónios, antes tidos como apenas servos dos nobres que dominavam a região. Foi nessa época que surgiram as primeiras escolas nas vilas estónias, que eram capazes de ensinarem o povo a ler alguns ensinamentos religiosos. Foi aberta também, pelo Rei em tartu, a primeira universidade na Estónia. Anos depois, após a Guerra dos 30 anos, mestres alemães vieram à academia de Tallinn ministrar aulas como nas academias alemãs, aumentando a influência que os alemães sempre tiveram na Estónia.

Depois de uma guerra com o príncipe de Brandenburg, a Suécia fez uma reforma nas terras dos nobres na Estónia, gerando um descontentamento e propiciando o retorno de outras nações ao território estónio. Gerou-se então, em 1700, a Grande Guerra do Norte, mais uma vez com participação de Dinamarca, Polónia, Rússia e Saxónia, contra os suecos. Depois de muitas batalhas e reviravoltas, os russos conseguiram derrotar as tropas do Rei Carlos XII e conquistar Tallinn, dominando finalmente a Estónia e a Livónia.

Durante o século XVIII, a criação das universidades na Estónia propiciou um forte crescimento cultural da população, com a maior utilização do idioma próprio e de valorização da cultura estónia. Foi a primeira vez que os estónios se viram como um povo e os intelectuais buscavam a criação de uma nação. Aproveitando a inevitável queda do Império Russo, e já descontente com algumas medidas do império, revoltaram-se em conjunto com a Revolução de 1905 e foram fortemente reprimidos pelo exército russo. Mas esse foi o primeiro passo real para a independência que seria alcançada após a Revolução de 1917, que daria pela primeira vez uma terra independente aos estónios, a República da Estónia. As cores da bandeira têm o seguinte significado: o azul representando a fé, a lealdade e devoção, bem como os lagos e o céu; o preto simboliza o passado negro e o sofrimento do povo estoniano; o branco representa as virtudes e a felicidade do povo, mas também a casca da bétula, a neve e a luz do sol.

Durante os primeiros 22 anos de independência (1918-1940), a Estónia passou por uma conturbada vida política com dissolução de partidos e o primeiro presidente sendo eleito apenas em 1938. Mas no aspecto cultural, foi um período muito forte, com a criação de muitas escolas que lecionavam em estónio e a garantia da autonomia cultural das minorias. Mas devido a essa política de neutralidade, a Estónia foi alvo da ocupação durante a Segunda Guerra Mundial. Em decorrência de uma artimanha soviética, a Estónia foi ocupada em 1940 pela URSS. Em 1942, os alemães invadiram a União Soviética e começaram por tomar também a Estónia. Naquele primeiro momento, o povo estónio ficou contente, devido à antiga aproximação com os alemães e também por sonhar com a volta da Estónia independente, facto que logo foi descartado pelo governo de Hitler. Quando a invasão alemã fracassou e os alemães saíram da Estónia, a nova invasão soviética mostrou-se inevitável, devido ao desgaste do país na guerra. Assim se estabeleceu a República Socialista Soviética da Estónia.

Durante os 52 anos de ocupação soviética, muitos movimentos de revolta e até de guerrilha formaram-se na Estónia, sendo o mais conhecido o Metsavennad, mas todos foram suprimidos pelo governo de Moscovo. Apenas em 1989, com a queda da União Soviética, é que começou uma reestruturação dos países soviéticos. A independência seguiu-se em 1992, sendo Lennart Meri o primeiro presidente da nova era independente. Após a saída do exército russo em 1994, a Estónia aumentou seus laços comerciais com o resto do leste europeu e obteve um alto crescimento económico nos anos 2000. Aderiu à União Europeia em 2004.

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