Croácia

Croácia é um país europeu situado nos Balcãs que faz fronteira a norte com a Eslovénia e Hungria, a nordeste com a Sérvia, a leste com a Bósnia Herzegovina e ao sul com Montenegro. É banhado a oeste pelo Mar Adriático e possui uma fronteira marítima com a Itália no Golfo de Trieste. O seu território continental é dividido em duas partes pelo Porto de Neum na Bósnia Herzegovina.

Banhado pelo Mar Adriático, o litoral croata é bastante recortado com penínsulas, baías e mais de 1000 ilhas.

As principais cidades croatas são Zagreb, Split, Rijeka, Osijek, Drubovnik e Karlovac.

 

Dubrovnik é uma cidade costeira no extremo sul da Dalmácia. É um dos destinos turísticos mais concorridos do Mar Adriático, um porto marítimo e a cidade mais importante do condado de Dubrovnik-Neretva. Em 2001 a população do município era de 43770 habitantes. Pela sua beleza natural e urbanística, e pelo que representa para a história, Dubrovnik é conhecida como “a pérola do Adriático”. Dubrovnik é uma cidade rodeada de muralhas e fortificações, no sopé do monte de São Sérgio que cai a pique sobre as águas do Mediterrâneo. Desde 1979 que o recinto muralhado está classificado como Património Mundial. As imponentes e bem conservadas muralhas, a arquitetura medieval, renascentista e barroca, a paisagem do Adriático, os cafés e restaurantes fazem de Dubrovnik um destino turístico singular. A parte antiga é dividida ao meio pela Placa ou Stradun, o passeio público, com cafés e restaurantes, além de diversos monumentos e edifícios históricos. A prosperidade da cidade sempre foi baseada no comércio marítimo. Na Idade Média foi a capital da República de Ragusa, a única cidade-estado no Adriático oriental a rivalizar com Veneza, atingindo o seu apogeu nos séculos XV e XVI. Em 1991 foi cercada por e bombardeada por forças militares da Sérvia e Montenegro na sequência da fragmentação da Jugoslávia, o que provocou grandes estragos.
Dos monumentos destacam-se o Palácio dos Reitores — antiga residência oficial do reitor, a autoridade máxima da república, é uma construção de meados do século XV, em estilo gótico e renascentista com algumas adições barrocas, Palácio Sponza — o melhor exemplo da arquitetura renascentista da cidade, este palácio é um dos mais belos e mais bem preservados da cidade, Stradun ou Placa — É a principal artéria da cidade antiga, tem cerca de 300 metros e une as portas de Pile e Ploce. As Muralhas — um dos ex-libris de Dubrovnik, estendem-se ao longo de 2 km à volta da cidade e diz-se serem das mais bem preservadas da Europa. Foram construídas entre o século VIII e XVI e tem duas secções, uma interior e outra exterior.

Ilhas Elaphiti é um arquipélago a noroeste de Dubrovnik que abrange um total de 30 km2 e uma população de 850. Devido às suas bonitas praias e águas cristalinas, atraem muitos turistas no Verão. Apenas 3 ilhas são habitadas e são servidas por ligações de ferry ao continente: Sipan, a maior com 15,8 km2, Lopud, conhecida pelas bonitas praias e Kolocep, apenas a 5 km do porto de Dubrovnik.


Geografia

A população da Croácia compõe-se principalmente de pessoas de origem croata (89,6%). Constituem grupos minoritários, entre outros, os sérvios (4,5%), os bósnios (0,5%) e os húngaros (0,4%). De acordo com os censos de 2001 a religião predominante é o Cristianismo, sendo o catolicismo praticado por 87,8% dos croatas, seguindo-se os ortodoxos que compõem 4,4% da população e os muçulmanos são 1,3%.

A língua oficial, croata, é um idioma eslavo meridional que utiliza o alfabeto latino.

História

No ano 925 o então duque Tomislav foi coroado Rei dos Croatas, criando-se o reino que compreendia as terras desde o Rio Drava até ao Mar Adriático. Este reinado durou até o final do século XI quando faleceu o último dos reis croatas. Os croatas passaram então a ser governados por reis húngaros.

Com a invasão otomana dos Balcãs, as terras croatas passaram a ser a fronteira entre o mundo muçulmano e o cristão(estando o Norte nas mãos dos croatas e o Sul nas mãos dos otomanos).

O resultado catastrófico da batalha de Mohács, em 1526 – a morte do Rei Luís II, o fim da dinastia dos Jagelão (Jagelló em húgaro) e a captura ou morte de grande parte da nobreza húngara – enterrou a esperança de resistência frente ao Império Otomano que anexou, no século XVI, a maior parte da Eslavônia, da Bósnia ocidental e a Lika. A coroa da Croácia (bem como a da Hungria) passou então à Casa de Habsburgo.

Mais tarde, no mesmo século, grandes áreas da Croácia e da Eslavônia, contíguas ao Império Otomano, foram reunidas pelo Império Habsburgo na chamada Fronteira Militar (Vojna Krajina), governadas diretamente desde o quartel-general militar em Viena. A área acabou ficando deserta e foi posteriormente ocupada por colonos sérvios, alemães e outros.

Com a queda do forte Bihac em 1592, apenas um pequeno trecho da Croácia permaneceu livre do controle otomano. O exército otomano sofreu sua primeira retirada em território croata após a batalha de Sisak, em 1593; os Habsburgos lograram, então, retomar quase todo o território perdido aos turcos, com exceção do que é hoje a Bósnia Herzegovina.

No século XVIII, o Império Otomano foi expulso da Hungria e da Croácia. A Imperatriz Maria Teresa foi apoiada pelos croatas na Guerra da Sucessão Austríaca de 1741-1748 e posteriormente fez consideráveis contribuições aos interesses croatas.

Com a queda da República de Veneza em 1797, suas possessões no Adriático oriental tornaram-se objeto de disputa entre a França e a Áustria, com esta última levando a melhor – em 1815, a Dalmácia e a Ístria já eram parte do império, embora ficassem sob controle austríaco, enquanto que o resto do que é hoje a Croácia permanecesse sob a coroa da Hungria (que, por sua vez, pertencia aos Habsburgos austríacos).

Em meados do século XIX, veio à tona o nacionalismo romântico na Croácia, que foi usado para contrabalançar a aparente germanização e magiarização do país. O Movimento Ilírio atraiu personalidades influentes dos anos 1830 em diante e produziu efeitos importantes na língua e na cultura croatas.

Após as Revoluções de 1848 em territórios dos Habsburgos e a criação da monarquia dual da Áustria-Hungria, a Croácia perdeu a sua autonomia doméstica, apesar das contribuições de seu ban Jelacic em reprimir a rebelião húngara. A autonomia croata foi restabelecida em 1868, com o Acordo Húngaro-Croata.

Pouco antes do término da Primeira Guerra Mundial em 1918, o Parlamento croata cortou relações com a Áustria-Hungria, enquanto as forças aliadas derrotavam o exército dos Habsburgos. Em seguida, o Conselho Popular (Narodno vijece) do Estado, imbuído de uma tradição pan-eslávica com meio século de existência, uniu-se à Sérvia e Montenegro, formando o Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos.

Em 1921, a nova constituição centralizou o poder na capital Belgrado e redesenhou as fronteiras internas em favor da maioria sérvia, em detrimento dos croatas chefiados por Stjepan Radic. Os croatas passaram então a boicotar o governo do Partido Radical Popular sérvio, exceto entre 1925 e 1927. Em 1928, Radic foi mortalmente ferido por um deputado sérvio durante uma sessão do Parlamento, o que causou mais comoção em Zagreb. Em 1929, o Rei Alexandre proclamou a ditadura e impôs uma nova constituição que, dentre outras mudanças, alterava o nome do país para Reino da Jugoslávia.

O Rei Alexandre foi assassinado em 1934, em Marselha, por uma coligação de dois grupos radicais, o Ustaše croata e o VMRO macedónio. A Croácia recebeu uma certa medida de autonomia em 1939, quando de uma reorganização das províncias, mas o regime militarista em Belgrado desmoronou em 1941 e as potências do Eixo ocuparam a Jugoslávia.

Após a invasão pela Alemanha nazi em 1941, a Jugoslávia foi desmembrada e o fascista Ante Pavelic tornou-se o líder do Estado independente da Croácia. Sob sua tutela, centenas de milhares sérvios, judeus, ciganos e croatas não-alinhados ao regime foram exterminados em campos de concentração, fato que gerou o aumento do ódio histórico de sérvios (cristão ortodoxos) massacrados pelos croatas nazis (cristão católicos). Até hoje os croatas são acusados de nazis por grande parte das populações da ex-Jugoslávia.

No final da Segunda Guerra Mundial, Josip Broz Tito não somente havia derrotado os invasores nazis e seus cúmplices, como também havia unificado todas as repúblicas jugoslavas em torno de um Estado comunista. O ódio secular entre sérvios e croatas era reprimido pelas autoridades jugoslavas. Com a morte de Tito, em 1980, iniciou-se um processo de fragilização da união das repúblicas jugoslavas. Tal quadro agravou-se ainda mais com a crise económica decorrente do desmoronamento dos regimes comunistas do Leste Europeu e das dificuldades de adaptação à economia de mercado. A Croácia, detentora da maior e mais desenvolvida economia das repúblicas da Jugoslávia, não escapou a volúpia nacionalista comum a todas as repúblicas jugoslavas. Em 25 de Junho de 1991, após plebiscitos que deram vitória esmagadora aos separatistas, os croatas anunciaram sua separação da Jugoslávia. Logo em seguida, o território croata foi invadido pelo Exército federal, então sob domínio sérvio, que interveio em favor das minorias sérvias residentes na Croácia (cerca de 10% da população). Diante dos violentos conflitos entre croatas e sérvios e da ocupação do território croata por milícias sérvias, a ONU interveio militarmente para assegurar a paz. Em 1992, o país foi reconhecido como independente. Em 1995, numa operação militar com êxito, a Croácia recupera, sem nenhuma ajuda externa, praticamente todos os seus territórios ocupados pelos sérvios, no que foi a primeira derrota do até então temível e invencível exército jugoslavo. Em 1998, sob forte pressão internacional, a Jugoslávia devolve o último território croata ocupado, a Eslavónia oriental. O governo de Franjo Tudjman, primeiro presidente eleito, foi responsável por levar o país à sua independência, recuperar os territórios ocupados (sem ajuda estrangeira) e ajudar os bósnio-croatas na luta pela independência da Bósnia e Herzegovina. Sua administração encerrou com sua morte, em 1999. Desde então, apesar de enfrentar problemas similares aos de outros países do Leste Europeu, a Croácia experimenta um vigoroso crescimento económico, um processo consistente de modernização da sua infraestrutura e uma grande transformação no sistema jurídico com vistas à consolidação da democracia e ao ingresso na União Europeia e na NATO.

A Croácia aderiu à União Europeia em 2014.

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