Cambodja

Angkor     *     Siem Reap     *     Tonlé Sap e Kampong Phluk

Cambodja é um reino do Sudeste Asiático situado na Península Indochina com uma superfície de 181.035 km2 e tem fronteiras a noroeste com a Tailândia, nordeste com Laos este com o Vietname. Tem ainda uma costa de 443 km no Golfo da Tailândia. O país tem uma população de 16 milhões de habitantes sendo Phnom Penh a sua capital com 2 milhões. Não havendo outras grandes cidades, as cidades médias mais importantes são Ta Khmau, Serei Saophoan, Battambang e Siem Reap. 

O Cambodja tem uma demografia muito homogénea sendo os Khmer o seu maior grupo étnico com 95% e outros grupos têm pouco mais de 1%, como os Cham ou os Vietnamitas. A língua oficial é o khmer que tem a sua própria escrita abugida, desde o século VII, que é descendente da escrita Brahmi através da escrita pallavi do sul da Índia. O Cambodja tem como religião oficial o budismo theravada praticado por 95% da população. Tem ainda uma minoria muçulmana de 2% cujos crentes são maioritariamente de etnia Cham.

A geografia do Cambodja apresenta uma grande planície central dominada pela bacia hidrográfica do Rio Mekong e pelo grande lago Tonlé Sap que tem uma superfície de 2590 km2 na época seca e 24605 km2 durante as inundações da época das chuvas. Esta grande zona central é rodeada por planaltos e pequenas montanhas que atingem o pico mais alto a 1813 m. A grande planície é dominada pelo cultivo dos campos de arroz.

A história do Cambodja é dominada pelos feitos e grandeza do Império Khmer que floresceu entre os séculos IX e XV. Com a queda do império perante o reino vizinho de Ayuttaya, o Cambodja viveu vários séculos subjugado aos vizinhos. No século XIX foi absorvido na Indochina Francesa como colónia duplicando o seu território à custa da Tailândia. Em 1953 tornou-se independente mas foi também afectado pela guerra entre o Vietname e os Estados Unidos. Em 1970 instalou-se um regime pró-americano que foi substituído pelo comunista Khmer Rouge que levou a cabo um genocídio entre 1975-79. Com as eleições de 1997 e o golpe do primeiro-ministro Hun Sen, o Partido do Povo do Cambodja instalou um regime comunista musculado de partido único que governa o país até hoje sob o apoio do rei e a influência do vizinho Vietname.

As principais actividades económicas do Cambodja continuam ainda muito centradas na agricultura e na produção de arroz, no entanto, a indústria téxtil começa a ter um peso cada vez maior. O turismo está a crescer bastante sendo o grande destaque a cidade de Siem Reap que recebe anualmente 2 milhões de visitantes para o complexo de Angkor.

História

A história do Cambodja pode ser resgatada até ao século V AC. Nos anais chineses há registo de uma civilização com estrutura política chamada Funan que ocupou a metade sul da Península Indochina entre os séculos I e VI DC e foi considerada a cultura hindu regional mais antiga, sugerindo uma ligação socio-económica com a Índia através de rotas marítimas. Esta civilização foi substituída por outra mais consolidada chamada Chenla.

No século VIII o território Chenla foi dividido em dois, Chenla de Água a sul e Chenla de Terra a norte. Chenla de Água foi absorvido pelo Império Srivijaya dos malaios e pelo Iimpério Shailandra dos javaneses. Em 802 o rei Jayavarman II de Chenla de Terra iniciou uma cerimónia mítica hindu no Monte Kulen e auto-proclamou a independência e declarou-se rei-deus, estabelecendo a nova capital Hariharalya perto da agora zona de Rolous. Foi assim estabelecido no século IX o Império Khmer que foi a era dourada deste povo e durou até ao século XV. Este centro populacional foi sempre alvo de planeamento urbanístico com a construção de enormes reservatórios artificiais de água recolhida na época das chuvas e canais à volta de uma área central com monumentos religiosos, hindus e budistas intermitentemente consoante as crenças dos sucessivos reis. A área que englobou as várias capitais e centros populacionais é geralmente conhecida como Angkor e chegou a ter quase 1 milhão de habitantes entre os séculos XII e XIII. No reinado de Suryavarman II (1113-1150) o império atingiu a sua maior extensão geográfica num território que incluia a actual Tailândia. Foi neste reinado que foi construído o templo de Angkor Wat. O rei morreu numa tentativa de invasão do Vietname e o reino Champa aproveitou para invadir Angkor em 1177. O Rei Jayavarman VII é considerado o maior rei dos khmers e derrotou os cham recuperando o apogeu do império e iniciando o período budista de Angkor. Esta foi a época de maior construção na área. O declínio começou no século XIV e durou 100 anos.

No século XV Angkor continuou a ser um importante centro espiritual mas as populações deslocaram-se leste na confluência do Rio Mekong com o lago Tonlé Sap. Este período que vai até ao século XIX é conhecido como a Era Negra do Cambodja. Os povos vizinhos Mon a oeste e Cham a leste foram gradualmente substituídos pelos Siameses/Tailandeses a oeste e Anameses/Vietnamitas a leste que sempre tiveram a ambição de controlar a bacia do Rio Mekong e o Tonlé Sap para controlar toda a Indochina. Assim, os reis do Cambodja foram subjugados pelos seus vizinhos neste período.

Em 1863 o Rei Norodom assinou um acordo com França para tornar o Cambodja um protectorado. Neste processo, o Cambodja recuperou uma parte do seu antigo território à Tailândia que ficou um estado tampão independente entre o império colonial francês na Indochina e o britânico na Malásia e em Myanmar. O Cambodja foi ainda assim negligenciado pelos franceses em detrimento do Vietname.

Após a ocupação japonesa durante a 2ª guerra mundial, os franceses recuperaram o controle da Indochina, mas o jovem Príncipe Norodom Sihanouk proclamou a independência do Reino do Kampucheia com a capital em Phnom Penh. Apesar do domínio francês, a resiliência deste monarca levou à independência do Cambodja em 1953. Na década seguinte o país foi neutral, mas na Guerra do Vietname contra os Estados Unidos, as províncias do leste do Cambodja estavam a servir de base às tropas do Vietname do Norte e o porto de Sihanoukville no sul servia para as abastecer. Assim em 1969 os Estados Unidos iniciaram um período de 14 meses de bombardeamentos no Cambodja. A posição do Cambodja face ao conflito vizinho era dúbia no entanto. Tanto apoiavam as bases norte vietnamitas como anunciavam que os americanos as podiam bombardear. A, por vezes, aparente posição pró-americana do governo do Cambodja levou ao crescimento dos lideres comunistas insurgentes que estudaram em Paris, como Pol Pot. O Príncipe Sihanouk chamou a este movimento Khmer Rouge. Numa visita do príncipe a Pequim em 1970 deu-se o golpe de estado pelo general Lon Nol que proclamou a República Khmer e aliou-se aos Estados Unidos que passaram a dar assistência ao regime. Logo o exército norte vietnamita invadiu o Cambodja até 15 km da capital e entregou os territórios ocupados ao Khmer Rouge comunista. Nesta guerra civil do Cambodja a liderança de Lon Nol começou a enfraquecer e o apoio do Vietname do Norte ao Khmer Rouge aumentava também com a vantagem que ganhavam na guerra contra os americanos. Em 1975 o congresso americano cancelou a ajuda ao Cambodja e o Khmer Rouge iniciou uma ofensiva massiva que o levou ao poder no Cambodja.

O regime que Pol Pot, lider do Khmer Rouge, concebeu criou laços com a China e desfez a amizade com o Vietname comunista que se tornou mais próximo da União Soviética. Este regime aboliu a religião, colectivizou a agricultura, estagnou a industria e esvaziou as cidades mandando a população toda para o campo trabalhar na agricultura. Com um pequeno surgimento de uma rebelião socialista no leste do Cambodja, Pol Pot levou a cabo um genocídio que se estima entre 1,4 e 2,2 milhões de mortes causadas por execuções e por fome e doenças. Em 1979 o Vietname invadiu o Cambodja e depôs Pol Pot, proclamando a República do Povo do Kampuchea. No entanto o Khmer Rouge continuou a fazer guerrilha e só em 1991 as Nações Unidas conseguiram a paz no país.

Em 1993 as eleições deram a maioria ao partido monárquico do Príncipe Norodom Ranariddh (filho de Sihanouk) seguido do Partido do Povo do Cambodja de Hun Sen que era o primeiro-ministro comunista desde 1985, homem-forte colocado pelo Vietname no poder após a invasão. Das eleições saiu um governo de coligação entre os dois partidos com dois co-primeiro-ministros, o príncipe Ranariddh e Hun Sen. Redigiram uma constituição nesse ano que tornou o país numa monarquia constituicional liberal e coroou o príncipe Sihanouk como rei. Em 1997 Hun Sen fez um golpe militar que depôs Ranariddh e exilou-o. Regressou em 1998 para presidir a Assembleia Nacional e era considerado por muitos o sucessor natural do Rei Sihanouk mas em 2001 renunciou a esse interesse e em 2004 colaborou na selecção de Norodom Sihamoni (meio-irmão) como sucessor de Sihanouk, tendo este abdicado a favor do filho. O Rei Sihamoni é visto como um fantoche do governo liderado por Hun Sen que serve ainda actualmente os interesses socio-económicos do Vietname.

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