Bósnia Herzegovina

A Bósnia e Herzegovina é uma república federal do Balcãs, resultante da dissolução da Jugoslávia, limitada a norte e oeste pela Croácia, a leste e a sul pela Sérvia e a sul pelo Montenegro, dispondo ainda de uma minúscula extensão de litoral, no Mar Adriático. A sua capital é a cidade de Sarajevo. É composta por duas entidades politicamente autónomas, a Federação da Bósnia Herzegovina (federação croato-bosníaca) e a República Sérvia (também conhecida como República Srpska, que não deve ser confundida com a Sérvia propriamente dita).

Mostar é uma cidade situada no cantão de Herzegovina-Neretva com cerca de 100.000 habitantes. É uma das cidades com maior interesse turístico do país, famosa pela Ponte Stari Most (Ponte Velha), contruída no século XVI sobre o Rio Neretva. Esta ponte foi sempre vista como o elo de ligação entre o Ocidente e o Oriente, mas foi destuída em 1993 durante a Guerra da Bósnia no contexto da desintegração da Jugoslávia. Foi reconstruída em 2004 com a ajuda da UNESCO e é tida para os habitantes de Mostar como um sinal de esperança para o futuro de uma cidade dividida entre católicos e muçulmanos, que têm tido uma relação conturbada ao longo dos tempos. A ponte velha e o centro histórico de Mostar foram classificados como Património Mundial pela UNESCO.
Além da zona em redor da Ponte Velha e da chamada Cidade Velha, outros pontos de interesse em Mostar são as Mesquitas de Nesuh-Aga Vucjakovic e Karadjoz-Beg (1557) e a Maison Turc (1635), uma casa museu que mostra como era a vida de uma família abastada no Império Otomano.

Santuário Medjugorje foi construído pelos bósnios cristãos (de etnia croata) em homenagem às aparições da Virgem Maria que tiveram início em 1981. As aparições não foram no entanto reconhecidas tendo a Conferência Jugoslava de Bispos determinado que não havia nada de sobrenatural nessas ocorrências em 1991. Continuam ainda assim estudos pela Igreja Católica sobre o fenómeno.

Neum é a única cidade costeira da Bósnia Herzegovina compreendendo cerca de 25 km de costa interrompendo a costa croata. É o único acesso do país ao Mar Adriático. O turismo tem-se desenvolvido nesta região com vários hotéis e praias. Neum tem duas fronteiras com a Croácia ao longo da estrada europeia E65, interrompedo assim a ligação croata na costa dálmata.


Geografia

A república independente está dividida em duas regiões geográficas: Bósnia, na parte setentrional, uma região de montanha que se encontra sob a cobertura das densas florestas; Herzegovina, na parte meridional, compõe-se, em sua maioria, de montes rochosos onde a actividade económica praticada é a agricultura. Antes da guerra civil, mais de um quinto da população que habitava a Bósnia e Herzegovina compunha-se de fazendeiros responsáveis pelo cultivo de citrinos e legumes. A república independente possuía grandes reservas minerais. As indústrias de maior importância foram as que fabricavam ferro, aço, couro, alimentos e têxteis, sendo destruídas mais tarde em virtude dos conflitos da guerra civil.

Os principais grupos étnicos que habitam a Bósnia Herzegovina são maioritariamente bósnios, sérvios e croatas. A maioria dos habitantes que vivem no país falam servo-croata e usam o alfabeto cirílico. Metade da população são cristãos (35 por cento segue a Igreja Ortodoxa Sérvia e 15 por cento o catolicismo) e 46 por cento é muçulmana.

História

A partir do século VII, várias partes da região que hoje corresponde à Bósnia e Herzegovina foram tomadas pelos sérvios, croatas, húngaros, venezianos e bizantinos. No século XII, o Reino da Hungria passou a governar o território, delegando o poder a vice-reis distritais de origem bósnia, croata e húngara. Anos depois, a região foi invadida pelo Império Otomano e, depois de várias batalhas, tornou-se uma província turca. Durante os séculos XVI e século XVII, a Bósnia foi um ponto estratégico nos conflitos constantes contra os Habsburgos e contra Veneza. Durante este período, a maior parte da população converteu-se ao Islão.

Depois da guerra russo-turca, entre 1877 e 1878, a Bósnia e Herzegovina ficou sob controlo do Império Austro-Húngaro, tendo sido anexada em 1908. A nova constituição dividiu o eleitorado em ortodoxo, católico e muçulmano, o que contribuiu muito pouco para travar o crescente nacionalismo sérvio.

Em 1914, o arquiduque austríaco Francisco Fernando foi assassinado em Sarajevo por um nacionalista sérvio. Esse acontecimento foi a gota de água para o início da Primeira Guerra Mundial. Em 1918, a Bósnia Herzegovina foi anexada à Sérvia, como parte do Reino dos sérvios, croatas e eslovenos. Em 1946, os dois territórios formaram a República Socialista Federativa da Jugoslávia, de regime comunista, sob o comando de Josip Broz Tito.

Com o colapso do comunismo, em 1989-1990, a Jugoslávia mergulhou numa onda de nacionalismo extremo. Depois de a Croácia abandonar a federação, em 1991, os croatas bósnios e os muçulmanos aprovaram um referendo a favor da criação de uma república multinacional e independente. Mas os sérvios bósnios recusaram separar-se da Jugoslávia, que nessa altura se encontrava sob o domínio da Sérvia. Em 1992, a Bósnia e Herzegovina foi arrastada para uma guerra civil sangrenta e devastadora, em que as populações acabaram por ser saneadas das regiões tomadas por cada nacionalidade. Em 1995 foi assinado o Acordo de Dayton e desde essa altura as forças da ONU encontram-se no território para garantir o cumprimento dos acordos de paz.

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