Alemanha

Baden Wurttemberg    *     Baviera     *     Berlim e Potsdam     *     Renânia do Norte Vestefália

A Alemanha é uma república federal localizada na Europa Central. Limita-se ao norte com o mar do Norte, a Dinamarca e o mar Báltico; ao leste com a Polónia e a República Checa; ao sul com a Áustria e a Suíça, e ao oeste com a França, Luxemburgo, Bélgica e Holanda. É conhecida oficialmente como República Federal Alemã (RFA). Berlim é a capital e a cidade mais importante. Outras cidades importantes são Hamburgo, Munique, Colónia, Frankfurt e Essen. O alemão é o idioma oficial e existem vários dialectos regionais.

Possui três grandes regiões geofísicas: as terras baixas que conformam a planície do norte, com numerosos vales fluviais; a região das mesetas centrais que abrange um território de suaves montanhas, vales fluviais, rios e vales bem definidos; e as cadeias montanhosas que incluem as cordilheiras Eifel e Hunsrück, Taunus, Spessart e Fichtelgebirge. Os contrafortes do Jura e um grande bosque, a Floresta Negra, estão no sudoeste. No extremo sul estão os Alpes bávaros.

A maioria dos grandes rios alemães estão na região ocidental. O mais importante é o Reno e seus afluentes, Neckar e Ruhr. Outros rios importantes são Elba, Danúbio, Oder e Neisse. Dos poucos grandes lagos destaca-se o Constança.

A população da Alemanha é de 82 milhões de habitantes, com uma densidade de 226 hab/km2, e está distribuída por 16 estados (Land): Baden-Wuerttemberg, Baviera, Berlim, Brandenburg, Bremen, Hamburg, Hessen, Mecklenburg-Vorpommern, Niedersachsen, Renânia do Norte – Vestefália, Rheinland-Pfalz, Saarland, Sachsen, Sachsen-Anhalt, Schleswig-Holstein e Turíngia.

 

História

Durante a idade da pedra, os bosques alemães estavam povoados por grupos de caçadores e colectores. Constituíam as formas primitivas do Homo sapiens, (Homem de Heidelberg que viveu há 400.000 anos). Aproximadamente em 2300 a.C. chegaram novas hordas de povos indo-europeus, antepassados dos germanos, que se instalaram no norte e no centro da Alemanha, os povos bálticos e os eslavos no leste e os celtas no sul e no oeste. De 1800 a 400 a.C., os povos celtas do sul da Alemanha e da Áustria desenvolveram progressos no trabalho com o metal, configurando várias culturas — campos de urnas, Hallstatt e La Tène — que se difundiram pela Europa. Entre os séculos II a.C. e V d.C. as tribos germânicas e celtas estiveram em contacto com os romanos que controlavam o sul e o oeste da Europa e tentaram sem êxito estender o seu domínio até o rio Elba. A fronteira manteve-se nos rios Reno e Danúbio, onde erigiram os limes (linha de fortificações). Nos séculos IV e V os hunos assolaram o território a partir da Ásia e os ostrogodos, visigodos, vândalos, francos, lombardos e outras tribos germânicas invadiram o Império romano. No final do século V, o chefe dos francos, Clodoveu I, derrotou os romanos e estabeleceu um reino que englobava a maior parte da Galia e o sudeste da Alemanha. Seu trabalho continuou no século VIII por Carlos Magno, que anexou o sul da Alemanha e submeteu os saxões. O Império carolíngio não sobreviveu e depois da morte de Carlos Magno foi dividido entre seus três netos (Tratado de Verdun de 843). Conrado II, o Sálico foi o primeiro rei indiscutível da Alemanha.

Nos séculos XII e XIII a Alemanha e a Itália estiveram imersas na rivalidade existente entre duas famílias principescas: os Hohenstaufen da Suabia, denominados gibelinos na Itália, e os Welfs da Baviera e da Saxónia, conhecidos como guelfos na Itália. Frederico I Barba-Roxa assumiu o título de imperador do Sacro Império Romano. Unificou a Alemanha e a Borgonha, declarou uma paz imperial e submeteu os guelfos. No final do século XIII, o Império havia perdido a Polónia, a Hungria e o controle efectivo da Borgonha e da Itália. Dentro de suas fronteiras, os principados eram praticamente autónomos. Nas cidades o comércio teve um grande desenvolvimento. As cidades do Reno e, mais tarde, as cidades alemães do norte formaram associações comerciais; a mais poderosa foi a Liga Hanseática. No final da Idade Média, a grande estirpe de duques foram extintas e criaram-se novos principados. Três casas reais — Habsburgo, Wittelsbach e Luxemburgo — lutaram pelos direitos. Com Alberto V, o Ilustre, a coroa imperial tornou-se hereditária da casa dos Habsburgo. Seu sucessor, Frederico III da Estiria, perdeu a Hungria e a Boémia, e vendeu Luxemburgo para a França, enquanto lutava contra os príncipes alemães e os turcos alcançavam as fronteiras do Império.

Na dinastia Habsburg, Maximiliano I desenvolveu uma política matrimonial em benefício de sua família. Mediante o matrimónio de seu filho, Felipe I o Belo, com a herdeira da Espanha, Joana I a Louca, Maximiliano assentou as bases para a futura união das coroas de Castela e Aragão com o Império. Em 1519, Carlos I da Espanha e V da Alemanha sucedeu a seu avô Maximiliano como imperador do Sacro Império Romano. Dedicou sua vida a preservar um império medieval unido na fé, um esforço infrutífero na sociedade plural criada pelos reformadores e as forças seculares. Os protestantes estavam divididos apesar da predominância dos luteranos. Pela Paz de Augsburgo (1555), ficou reconhecido o luteranismo, mas não ocorreu o mesmo com os calvinistas. Carlos abdicou em 1556 e o seu vasto Império dividiu-se: as possessões espanholas e borgonhesas passaram a seu filho Felipe II, enquanto que o título imperial e as possessões imperiais foram para seu irmão Fernando I de Habsburgo.

Politicamente o Sacro Império Romano Germânico (ou I Reich) continuou com tal denominação, mas havia perdido todas as pretensões à universalidade e a um governo centralizado. No final do século XVII e início do XVIII, o Império estava eclipsado pela França e pela Inglaterra. A estrutura imperial dependia de grande quantidade de príncipes menores; os Wettins da Saxónia, os Welfs de Brunswick-Luneburgo converteram-se em eleitores de Hannover, os Wittelsbachs da Baviera, os Habsburgo da Áustria e os Hohenzollern de Brandeburgo eram as famílias hegemónicas no Império e dominavam os outros príncipes. Fora do Império, a área mais importante era a Prússia, que se converteu num reino independente em 1701.

Não era possível, no século XVIII, estabelecer-se com certeza as fronteiras da Alemanha. A Prússia propriamente dita estava fora do Império; a Pomerânia era sueca, o Oldenburg, dinamarquês; o eleitor de Hannover era o rei da Inglaterra, o landgrave do Hessen era o rei da Suécia, o duque de Holstein era o czar da Rússia. A fragmentação chegara ao ponto de existirem 1500 soberanos, havendo cerca de 80 territórios com dimensões inferiores a 12 milhas quadradas. Esse conglomerado distribuía-se em 10 círculos (Kreise), numa organização que não funcionava, e o número de eleitorados passara a 9, com o acréscimo da Baviera e do Hannover. Típica do período foi a mania de grandeza e a dissipação das cortes principescas, caracterizadas pelo próprio Frederico II, em seu Anti-Machiavel, da seguinte forma: “mesmo o mais jovem filho de uma linhagem com apanágio imagina ter semelhanças com Luís XIV: constrói um Versalhes, tem amantes e mantém um exército”. A isso, é verdade, foram devidos à arquitectura, não poucos importantes monumentos do Barroco alemão.

Querelas inimagináveis desenvolviam-se entre os príncipes, enquanto as condições dos súbditos eram quase sempre difíceis e o prestígio internacional da Alemanha reduzia-se cada vez mais. Esse é o ambiente no qual se verifica a elevação da Prússia ao nível de grande potência, com Frederico II. Frederico II o Grande dedicou a maior parte de sua vida a estender o território da Prússia para a Áustria e a Polónia.

O imperador Carlos VI, ansioso em manter unificados os domínios dos Habsburgo, promulgou a Sanção Pragmática em 1713, declarando que sua filha Maria Teresa I da Áustria lhe sucederia. No ano de 1740, morreu o Imperador Carlos VI, extinguindo-se a linha masculina directa dos Habsburgos. Carlos VI, porém, pela Pragmática Sanção, conseguiu fazer com que as terras austríacas fossem transmitidas à sua filha, Maria Teresa. Os eleitores da Baviera e da Saxónia rechaçaram a Sanção Pragmática. Apesar de todas as precauções, a Baviera, que não reconhecera aquele documento, protestou, surgindo daí o ponto de partida para a Guerra da Sucessão da Áustria, em cujo âmbito se incluem as duas primeiras guerras da Silésia. Baviera e França aliaram-se ao novo rei da Prússia, Frederico II, e este, em rápida campanha, conquistou a Silésia, enquanto seus aliados franco-bávaros invadiam a Boémia e ocupavam Praga, com o apoio da Saxónia. Em 1742, Maria Teresa faz a paz de Breslau com a Prússia, renunciando à Silésia e continuando a luta com seus outros inimigos, já aliados à Inglaterra. Em 1743, Frederico renovou sua aliança com a França, para consolidar o domínio sobre a Silésia, com as vitórias de Hohenfriedberg, Kesseldorf e Söor, que levaram à conclusão da Paz de Dresden, em 1745. No mesmo ano, os bávaros, pelo Tratado de Füssen, reconheceram como Imperador o marido de Maria Teresa, Francisco I da Lorena. O mesmo já fizera Frederico II, em Dresden. A guerra continuou – Áustria e Inglaterra contra França e Espanha – só se encerrando pela Paz de Aachen (1748).

O surgimento da Prússia como uma grande potência levou a uma mudança de alianças e a novas hostilidades. A intenção de Maria Teresa de reconquistar a Silésia deu lugar a uma série de alianças que conduziriam à guerra dos Sete Anos (1756-1763). Maria Teresa aliou-se então, à França e a Rússia, com a adesão da Suécia e da Saxónia, contra Frederico II, que buscou a aliança inglesa. E teve início, em 1756, a Guerra dos Sete Anos. Frederico avançou sobre a Saxónia, forçando-a à Capitulação de Pirna. Contra os franceses, em 1757, venceu a batalha de Rossbach, batendo os austríacos em Praga e Leuthen, e os russos em Zorndorf. Para o general austríaco Daun, todavia, perdeu os encontros de Kollin e Hochkirch, sendo vencido, ainda, pelos austro-russos, na importante batalha de Kunersdorf. Forçada à defensiva, a Prússia parecia em situação desesperada. Foi quando se deu o que o próprio Frederico chamou de “o milagre da Casa de Brandenburgo”: hesitações e divergências entre os adversários impediram que fossem tiradas vantagens da derrota prussiana, até que, em 1762, o advento do czar Pedro III, na Rússia, admirador de Frederico, determinou a reviravolta da posição russa, à qual se seguia a paz com a Suécia. Os êxitos sobre os austríacos, em Bunkersdorf e Freiburg, levaram Maria Teresa à Paz de Hubertsburg (1763), confirmando as cláusulas de Breslau e Dresden. Em 1772, sem guerra, obteve a Prússia substancial aumento de território, com a 1ª partilha da Polónia: desta vez fazia-se a ligação por terra do Brandenburgo com a Prússia propriamente dita. Surgia assim, no norte, uma potência protestante, oposta à Áustria católica ao sul. A rivalidade, como se verificou quando Frederico, por duas vezes (1778-79 e 1785), salvou a Baviera dos apetites territoriais do filho de Maria Teresa, José II.

Relevante foi a obra interna de Frederico: seus pensamentos filosóficos não o afastaram do plano concreto: proclamou a liberdade religiosa, promoveu também verdadeira obra de colonização, abrindo uma rede de canais e estradas, estimulando a agricultura, para a qual conquistou novas terras. Admirador dos iluministas, foi um representante do despotismo esclarecido, que considerava o monarca o primeiro servidor do Estado. Preocupado com a administração da Justiça, criou uma camada de juízes de alta categoria, invulneráveis à corrupção, tão comum na época. A codificação do direito administrativo, civil e penal, que encontrou sua expressão no Allgemeine Landrecht für die preussischen Staten (Compilação do Direito para os Estados Prussianos), deve-se à sua iniciativa, notando-se seu empenho na distribuição de justiça rápida, sólida e barata para todos, sem distinções sociais.
Tal atitude, quando mais não fosse, teria justificado que um filósofo como Kant o tivesse chamado, em 1784, de Frederico II, o Grande. Não teve, porém, compreensão para o desenvolvimento cultural alemão propriamente dito. Suas numerosas obras e cartas foram escritas em francês, inclusive um trabalho dedicado à crítica da literatura alemã contemporânea. Esse espírito era mais europeu do que nacional-alemão, embora, em seu tempo, já Goethe e Schiller fossem bastante conhecidos, destacando-se ainda nomes como Lessing e Herder. Note-se, de passagem, sua simpatia para com os americanos rebelados contra a Inglaterra, cujas forças, aliás, foram em grande parte organizadas por um dos mais capazes instrutores do próprio exército: W. von Steuben. À época de sua morte, em 1786, era a Prússia uma grande potência europeia, rompido o quadro deixado na Alemanha pelos Tratados da Vestfália.

Logo depois deveria verificar-se o fim do Sacro Império. A primeira guerra da França revolucionária foi declarada à Áustria, em 1792, mas esta estava aliada à Prússia, então sob o reinado de Frederico Guilherme II (1786 – 1797). Em Valmy, os prussianos recuaram diante dos franceses, os austríacos foram batidos em Jemappes, a margem esquerda do Reno, até 1793, estava ocupada pelos revolucionários. Pela Paz de Basileia (1795), a Prússia reconhecia a posse desses territórios pela França. Em compensação, entretanto, expandia-se para o Oriente, com as anexações resultantes da 2ª e 3ª partilhas da Polónia (1793 e 95). Iniciara-se, assim, uma fase de crucial importância para a Alemanha. As lutas da França contra a Áustria continuaram na Itália e na Alemanha do sul, até a Paz de Campoformio (1797), quando os austríacos confirmaram a anexação da margem esquerda do Reno à França.

Em 1803 houve a reorganização da Alemanha, segundo as determinações do Tratado de Lunéville, através do Reichsdeputationshauptabschluss, ou encerramento definitivo da Dieta do Reich. Franceses e russos, nos bastidores, praticamente deram as linhas mestras da nova Alemanha, em que, com poucas excepções, se aboliam os princípios eclesiásticos; reduziam-se de 48 para 6 as cidades livres; criavam-se mais 4 eleitorados (Salzburg, Baden, Württenberg e Hessen-Kassel), dos quais 3 protestantes, o que era o fim da hegemonia austro-católica, e favoreciam-se territorialmente a Prússia e os Estados medianos do Ocidente. No mesmo ano de 1803, os franceses ocuparam Hannover. Em 1804, foi o próprio título de imperador que Napoleão chamou para si, fazendo com que, em 1806, o então imperador Francisco II declarasse dissolvido o Sacro Império. Mantinha ele, entretanto, o título de Imperador da Áustria. Ainda em 1806, a tentativa prussiana de vencer Napoleão marcou-se pelas derrotas de Iena e Auerstadt e a ocupação de Berlim pelos russos. A Prússia foi salva da dissolução graças à intercessão do Czar Alexandre II, o qual, depois de vencido, fizera a paz com Napoleão em Tilsit. De 1806 a 1812 foi completo o domínio francês sobre a Alemanha. A Confederação do Reno reunia os Estados alemães com excepção da Áustria e da Prússia sob o protectorado francês. A Prússia perdera todos os seus territórios a oeste do Elba, bem como parte das antigas terras polacas. A Áustria, mais uma vez vencida, em 1809, fora forçada à aliança com a França. Tropas francesas aquartelavam-se por toda a parte, o Código Napoleónico vigorava em diversos Estados e a própria esperança de reformas inspirava-se, de uma ou de outra forma, nos franceses, nos propagadores dos ideais revolucionários. Nessa situação é que se desenvolve o espírito nacional, estimulados pela necessidade de expulsar os invasores. Na Prússia, surgiram personalidades decididas a preparar o resurgimento, como Karl von und zum Stein. Animado por profundo sentimento alemão superior aos particularismos, Stein como ministro de Frederico Guilherme III, empenhou-se em reformas inspiradas nos ideais revolucionários, entre outras a supressão dos obstáculos ao comércio e ao exercício das profissões, a libertação dos camponeses, a organização de um ministério com ministros especializados em seus sectores, a ordem nas finanças, em suma, a reorganização da Prússia.
A Universidade de Berlim, fundada em 1810, proporcionava à Alemanha os meios de atingir a maioridade. Enquanto isso, Napoleão incorporava ao Império Francês as cidades hanseáticas, chegando ao Báltico. Em 1812, porém, a Campanha de Napoleão na Rússia, na qual os alemães (inclusive a Prússia) foram forçados a colaborar com a França, resultou no malogro que criou as condições propícias à libertação. Em 1813, a Prússia aliou-se à Rússia, iniciando-se as chamadas “guerras de libertação” da Alemanha; a elas aderiu a Áustria, acelerando-se a tendência à defecção dos outros Estados. Teve lugar a batalha de Leipzig, com vitória dos aliados; depois disso, dissolveu-se a Confederação do Reno. A 31 de março de 1814, os aliados entravam em Paris, com o Marechal Blücher à frente dos prussianos. Retornou ele a essa cidade, depois de juntamente com os ingleses, haver batido definitivamente Napoleão em Waterloo (18 de junho de 1815).

No Congresso de Viena (1814-1815) os Estados vencedores de Napoleão redesenharam o mapa da Europa. O Sacro Império Romano Germânico, com mais de 240 estados, foi substituído pela Confederação Germânica, sob a chefia da Áustria contando 35 Estados e 4 cidades livres representados na Dieta de Frankfurt. Destacavam-se aí os reinos da Prússia, Saxónia, Hannover, Baviera e Württenberg. Tanto a Prússia como a Áustria continuavam a ter parte de suas terras fora da Confederação, mas, por outro lado, soberanos estrangeiros, como o rei da Inglaterra (por Hannover), da Dinamarca (pelo Holstein e Lauenburg) e da Holanda (pelo Luxemburgo), estavam dentro dela. O órgão máximo era o Bundestag, assembleia dos representantes dos diversos Estados, com sede na cidade livre de Frankfurt. Muitos alemães queriam estabelecer um governo liberal de acordo com uma Constituição que garantisse a representação popular e outras medidas. Também tinham esperanças na unificação nacional. Os soberanos da Prússia e da Áustria e os recentemente coroados reis da Baviera, Hannover, Württemberg e Saxónia, temerosos de qualquer usurpação de sua soberania, opuseram-se ao liberalismo e ao nacionalismo. Áustria, Prússia, Rússia e Grã-Bretanha formaram a Quádrupla Aliança para suprimir qualquer ameaça aos acordos com Viena.

Chegou-se, em 1834, ao Zollverein (união alfandegária), chefiado pela Prússia e congregando 18 Estados, num total de 23 milhões de habitantes. Um de seus mais importantes promotores fora F. List, entusiasta também da construção de ferrovias, com as quais objectivava ligar toda a Alemanha. A 1ª delas, de Leipzig a Dresden, inaugurou-se em 1839.

Prússia e Áustria fizeram planos divergentes para a futura unificação alemã. Na Prússia, o rei Guilherme I, junto do seu primeiro-ministro, Otto von Bismarck, decidiram fazer da Prússia um poderoso Estado. Depois da Guerra Áustro-prussiana, a Áustria cedeu Veneza para a Itália, e à Prússia foi anexada Schleswig-Holstein, Hannover e outros estados, e organizou a Confederação da Alemanha do Norte (1867) sem a Áustria. Bismarck culminou sua estratégia com a Guerra Franco-prussiana, depois da qual, em 1871, Guilherme foi proclamado imperador do Império Alemão (o II Reich). Uma vez unificados os diversos Estados alemães sob o Império dirigido pela Prússia, Bismarck fez uma série de alianças para proteger a Alemanha de qualquer agressão exterior. No interior fomentou a Revolução Industrial. Bismarck considerou que a Igreja católica ameaçava a supremacia do Estado alemão. Iniciou assim a Kulturkampf (luta cultural) durante a qual suprimiu muitas ordens religiosas. O Império não funcionava de forma democrática. Bismarck dirigiu uma perseguição ao Partido Socialista, precursor do Partido Social-democrata alemão e preparava suprimir a Constituição. Entretanto, o novo imperador Guilherme II da Prússia destituiu-o, por querer governar o Império de forma pessoal. Guilherme II manteve a Tríplice Aliança (1882) da Alemanha, Áustria e Itália. Para equilibrar a situação, a Rússia concordou com uma aliança em 1894 com a França. A Grã-Bretanha, durante muito tempo neutra, clarificou suas diferenças coloniais com a França e com a Rússia, o que teve como resultado a formação do Tríplice Acordo. Desta forma, a Europa dividiu-se em dois blocos armados.

A crise de Marrocos e dos Balcãs intensificaram os antagonismos. Guilherme II interveio duas vezes em Marrocos (1905, 1911), pretendido pela França, para proteger os interesses alemães na África. À Áustria foi anexada em 1908 as províncias turcas da Bósnia e Herzegovina. O assassinato do arquiduque austríaco Francisco Fernando de Habsburgo em Sarajevo, em junho de 1914, foi a faísca que iniciou a I Guerra Mundial. As tropas alemães invadiram e avançaram pela neutra Bélgica com a intenção de tomar Paris de surpresa, mas os alemães encontraram mais resistência na Bélgica do que esperavam, apesar de quase chegaram a Paris. Entretanto, os britânicos e os franceses travaram o avanço alemão na batalha de Marne. Enquanto os russos atacaram o leste, mergulhando a Alemanha na temida guerra de duas frentes.

Os alemães derrotaram várias vezes os russos. Os aliados bloquearam a Alemanha para impossibilitar o fornecimento de alimentos e matérias-primas, contando com o apoio dos Estados Unidos que entrou na guerra em 1917. A Rússia pediu a paz, que foi assinada em 1918. Os alemães lançaram uma ofensiva final no oeste, mas os aliados resistiram. O chanceler demitiu-se e anunciou que Guilherme II abdicou. O dirigente do Partido Social-democrata Friedrich Ebert proclamou a República. A Alemanha teve que enfrentar os duros termos do Tratado de Versalhes em 1919: perdeu a Alsácia e Lorena a favor da França, e a Prússia Ocidental passou para a Polónia. Também perdeu suas colónias e teve que ceder suas instalações siderúrgicas, linhas ferroviárias e barcos comerciais, assim como sua força naval. Além disso, tiveram que aceitar a plena responsabilidade como causadores da guerra e pagar as indemnizações.

No meio da depressão económica, as eleições de 1932 fizeram com que o Partido Nacional-socialista (nazista) fosse o de maior representação no Reichstag. Em 1933, com o apoio de elementos de extrema direita, Hitler foi eleito chanceler. O novo Parlamento aprovou a Lei de Poderes Especiais permitindo a Hitler controlar todos os aspectos da vida alemã e criar o III Reich. Todos os partidos políticos, excepto o Nacional-socialista foram considerados ilegais. O III Reich procurou ser economicamente auto-suficiente. O sistema propagandístico contou com o apoio da GESTAPO. Os judeus sofreram com as leis discriminatórias, sendo privados da cidadania e excluídos das actividades civis e profissionais, e depois da denominada Noite dos cristais quebrados, centenas de milhares de judeus fugiram do país.

As ocupações da França, da Bélgica, dos Países Baixos, da Noruega, da Dinamarca, da Jugoslávia e da Grécia fizeram com que milhões de judeus ficassem sob o domínio nazista. Ainda houve colaboradores nos territórios ocupados que ajudavam aos nazistas, a resistência a sua política foi importante. Até o final da guerra, os judeus mortos chegaram a cerca de seis milhões no que ficou conhecido como o Holocausto. Os desejos da Alemanha de procurar uma revisão do Tratado de Versalhes pela força tornaram inúteis os esforços realizados pelos os outros países que queriam evitar o confronto militar, o que conduziu à II Guerra Mundial. Em 1942, a Grã-Bretanha porém resistia e os Estados Unidos havia entrado na guerra depois do ataque japonês a Pearl Harbor. Em 1943, a ofensiva soviética conduziu gradualmente as tropas alemães para o oeste. As forças do Eixo na África do Norte foram derrotadas e a Itália foi invadida. A Alemanha, a partir de 1942, começou a ser bombardeada de forma intensiva, mas Hitler recusou render-se. As forças britânicas e americanas desembarcaram na Normandia em 1944 e avançaram para a fronteira alemã, enquanto os soviéticos faziam o mesmo na frente oriental. Hitler suicidou-se antes dos tanques soviéticos entrarem em Berlim em 1945.

A rendição incondicional da Alemanha pôs fim ao III Reich. Os aliados reduziram a Alemanha às suas fronteiras anteriores ao início da contenda e ainda destinaram uma parte de seu território oriental a Polónia como forma de compensar as terras ocupadas pela União Soviética até o Oder. A Alemanha foi dividida em quatro zonas de ocupação, mas como a política dos aliados divergiam, a Alemanha praticamente foi dividida em duas partes. Em 1948, Grã-Bretanha, Estados Unidos e França uniram suas zonas de ocupação e encorajaram aos alemães a formar um governo democrático. A URSS, por sua vez, criou outro Estado. Em 1949 foram formados dois Estados alemães: a República Federal Alemã, ou Alemanha Ocidental e a República Democrática Alemã ou Alemanha Oriental.

O governo da Alemanha Oriental caiu em 1989. Com a derrocada do muro de Berlim e outras barreiras migratórias mais de 200.000 alemães orientais entraram na Alemanha Ocidental. As Alemanhas realizaram a união económica e monetária em Julho de 1990, e em outubro foi dissolvida a República Democrática Alemã: todos seus cidadãos se converteram em súbditos da República Federal Alemã. A coalizão dirigida por Helmut Kohl conseguiu a vitória nas eleições de 1990. Com a dissolução da antiga URSS e a evolução política europeia, os Estados Unidos começaram a reduzir suas forças militares na Alemanha.

Apesar da grande destruição sofrida durante a II Guerra Mundial, a Alemanha ressurgiu na década de 1960. A reunificação foi um golpe muito duro; a Alemanha Ocidental tem suportado as custas das melhorias na infra-estrutura, no meio ambiente e na indústria da parte oriental, embora muitas empresas do Leste tenham falido, a Alemanha continua a ser uma potência na economia mundial devido à forte competência da Alemanha Ocidental.

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